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Reitores mineiros e a nova forma de seleção

Reitores e responsáveis pelas Comissões Técnicas realizadoras dos vestibulares em instituições mineiras, federais, estaduais e particulares, falam sobre a proposta do MEC em unificar os vestibulares no País. As universidades têm até o dia 30 de abril para darem uma resposta ao MEC.

UFLA
“A Reitoria acatará as orientações do Cepe (Conselho Ensino, Pesquisa e Extensão) para tratamento do assunto junto à comunidade acadêmica, ao Conselho Pleno da Andifes e ao MEC. O próprio MEC entende que a adesão ao modelo proposto deve ser voluntária e ocorrerá de forma gradual, mas vemos com bons olhos a disposição do MEC e do Inep em melhorar profundamente o Enem, o que permitirá sua adoção em maior ou menor escala nos processos seletivos das instituições federais. Também não podemos perder de vista que este modelo de unificação dos processos seletivos será pensado e permanentemente modificado no tempo, num crescente e contínuo processo de melhoria de qualidade na seleção de nossos estudantes de graduação, o que é característico do sistema público federal de educação superior.” (Prof. Antônio Nazareno Reitor da Universidade Federal de Lavras – Ufla)

UFJF 
O Reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), professor Henrique Duque, ouviu as propostas, durante a reunião da Andifes com o MEC em Brasília, e levou o assunto para discussão dentro da UFJF, em reunião nesta terça-feira (14/04) do Conselho de Graduação (CONGRAD). O reitor não quis anunciar sua posição sobre o assunto, deixando a reunião para que o Conselho pudesse debater abertamente. Adiantou que qualquer decisão será inteiramente pautada nas deliberações do CONGRAD e do Conselho Superior (CONSU), que também deverá reunir-se posteriormente.

Foi marcada uma reunião para esta sexta-feira (17/04), entre o Conselho e as escolas públicas, particulares e cursinhos pré-vestibulares da cidade. E no dia 23 de abril o CONGRAD volta a se encontrar para, então, dar seu parecer final sobre a proposta.

A UFJF já adiantou que, independente da decisão, não irá alterar seu Programa de Ingresso Seletivo Misto (PISM).

 

UFMG
Na Federal de Minas Gerais o assunto começa a ser discutido, mas a posição oficial só será tomada quando for tratado pelo Conselho Universitário. “Antes da proposta chegar aos órgãos de deliberação superiores, iremos estimular o debate nas unidades; queremos que a comunidade acadêmica participe e opine”, informa o pró-reitor de Graduação, Mauro Braga.

Para Mauro Braga, a Reitoria da UFMG considera positivo que o processo seletivo seja direcionado para medir mais a capacidade analítica do que o volume de informações. Segundo ele, o vestibular de hoje exige uma memorização exagerada de conteúdos. A Administração Central, porém, não trabalha com a hipótese de substituição plena do Vestibular, e sim com uma articulação entre o Enem e uma avaliação realizada pela própria Universidade. “A princípio, pretendemos propor a adoção do Enem como primeira etapa do nosso processo seletivo. Se fizermos esta opção, também alteraremos o formato da segunda etapa, mas isso ainda será muito discutido”, explica.

Objeções
A ideia de substituir o vestibular por uma nova avaliação a partir do Enem traz algumas desvantagens, diz o pró-reitor. Uma delas – apontada pelo MEC como benefício – é a possibilidade dos candidatos escolherem o curso após a realização do exame. A justificativa seria que tal procedimento garantiria a seleção dos melhores estudantes. Mas Mauro Braga antevê o crescimento dos índices de evasão. “O candidato que almejava uma vaga em Medicina, após perceber que seu desempenho na prova não foi satisfatório, poderá optar por Enfermagem. Ele tira a vaga de uma pessoa que, de fato, queria estudar Enfermagem. No ano seguinte, provavelmente fará o processo seletivo novamente e, se ele for aprovado em Medicina, abandonará o curso de Enfermagem”, analisa.

A proposta prevê, também, que o aluno dispute apenas um vestibular, com validade nacional. Isso facilitaria a vida de muitos candidatos, pois poderiam fazer a prova perto de sua residência e concorrer simultaneamente em até cinco universidades. À primeira vista, a ideia é boa, mas pode trazer outras implicações, como a elitização do ensino superior. “Um candidato abastado de Sergipe, por exemplo, poderia se sentir mais estimulado a estudar na UFMG. Se for aprovado, talvez acabe ficando com a vaga de um candidato pobre de Belo Horizonte. Por outro lado, um estudante pobre de Sergipe, mesmo selecionado para ingressar na UFMG, dificilmente o fará já que não possui condições financeiras para mudar de cidade”, analisa Mauro Braga.

Ensino médio
O MEC espera que o ensino médio promova uma reestruturação em seus currículos, uma vez que o ingresso nas universidades federais passaria a ser feito por meio de um exame que julgaria mais a capacidade analítica do candidato do que a quantidade de informações acumulada. “O conteúdo do ensino médio reproduz hoje o que é cobrado no vestibular. Uma nova prova mais centrada em habilidades e competências certamente terá impactos na forma como os professores e escolas irão preparar seus alunos para a seleção”, analisa o pró-reitor. Ele ressalta ainda que uma avaliação com este viés não eliminaria, mas reduziria sensivelmente o peso dos aspectos socioeconômicos. Isso porque a seleção com base na memorização favorece o candidato que não trabalha, que dispõe de mais tempo para se dedicar aos estudos e pode pagar por cursos preparatórios voltados para exposição mais intensiva de conteúdos. (Fonte: Boletim UFMG)

UFV
O reitor da UFV, professor Luiz Cláudio Costa, reuniu-se no final da manhã de hoje (14/04) com dirigentes da Instituição para falar sobre a proposta do MEC. A reunião contou com a presença de pró-reitores, diretores dos centros de ciências, coordenadores de curso e chefes de departamento. Segundo ele, “(…) é fundamental formar um banco de idéias sobre o tema para que se chegue a uma decisão amadurecida quanto à eventual adesão da UFV, enfatizando que essa opção ocorrerá após decisão dos colegiados superiores.”

Unifal-MG
O Reitor, professor Antônio Martins de Siqueira, disse que como ainda não há nenhuma comunicação oficial recebida pela UNIFAL-MG, qualquer opinião seria mera especulação. Adianta que será reunido o Conselho Superior da Universidade para discutir a respeito do Vestibular unificado.

Unimontes
O reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Professor Paulo Cesar Gonçalves de Almeida, está acompanhando todo o processo e informou que posteriormente opinará já que a proposta foi encaminhada prioritariamente aos reitores de universidades federais.

Univale 
“A proposta apresentada pelo Ministro da Educação de substituir o Enem por um único exame nacional, como forma de ingresso para o ensino superior , deverá ser analisada com muita cautela e iniciar com um projeto piloto.O modelo padrão ainda adotado pelos vestibulares no Brasil privilegiam a memorização de conteúdos em detrimento da capacidade de interpretação analítica dos candidatos e realmente esta prática deve ser mudada. Acreditamos que a proposta do MEC possibilitará uma seleção mais rigorosa, cujos reflexos incidirão positivamente nas Universidades e especialmente na política pedagógica do ensino médio. Embora seja uma proposta para iniciar com as Universidades Federais, acreditamos que as instituições privadas também adotarão o modelo, o que exigirá uma discussão em fórum próprio”.
(Profa. Ana Angélica Gonçalves Leão Coelho – Reitora da Universidade Vale do Rio Doce (Univale) – A Univale é uma universidade privada de caráter comunitário, situada em Governador Valadares, região leste de Minas Gerais).

Com: Assessorias UFLA, UFJF, UFV, Univale, Unimontes

 

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