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Polêmica sobre o Enem

Universidades e institutos federais mineiros enviaram documento ao Ministério da Educação (MEC) criticando etapas e procedimentos do novo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar candidatos para instituições públicas de ensino superior. O documento de mais de cinco páginas lista os principais problemas do sistema e diz que o Enem e o Sisu estão em “descrédito”.

De acordo com José Margarida da Silva, presidente do Fórum das Comissões de Processos Seletivos de Minas Gerais (Forcops), entidade responsável pelo documento, não há nenhuma decisão por parte das 15 instituições que congregam o fórum de deixar o sistema. Segundo ele, “o documento traz uma análise, mas não aponta decisões”.

“Existe uma análise do processo, na tentativa de contribuir para o aperfeiçoamento”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Mais de dez instituições públicas de ensino superior do estado assinam o documento, incluindo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Alfenas (Ufal), a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

No documento, o fórum afirma que “com o descrédito do Sisu e do exame, o problema do candidato fazer vários processos seletivos persiste”.

De acordo com o texto, há pouca clareza de informações por parte do MEC para os estudantes que já concluíram o ensino médio e isso fará com que “várias instituições obrigatoriamente façam processos seletivos próprios no meio do ano de 2010, ainda que possam utilizar o resultado do Enem 2009”.

Para as comissões de vestibular dessas instituições mineiras, ainda há preocupação com a questão de segurança, “pois todos que acompanham a aplicação do Enem sabem que a logística deste processo é frágil em várias etapas – impressão, guarda da prova, seleção de aplicadores”.

O documento cita os vários problemas ocorridos durante a implantação do novo Enem, desde o vazamento da prova em outubro até erros na divulgação dos resultado do Sisu. “Tivemos várias consequências, como alteração de datas de divulgação de resultados, de matrículas e o adiamento do início do semestre letivo. Tudo isso nos leva a confirmar nossa certeza prévia de que o processo deveria acontecer sem pressa e com planejamento adequado”, diz o texto.

Na avaliação do fórum, é preciso que as comissões de vestibular das instituições que integram o Sisu possam participar mais ativamente do processo, já que elas acumulam grande experiência na área de seleção. O fórum sugere que seja criado um grupo de trabalho das comissões juntamente com o MEC para avaliar e corrigir erros do Sisu.

“Até o momento, a participação das comissões de processos seletivos foi restrita ao envio de uma listagem de sua infraestrutura de prédios e salas, de pessoal disponível para a aplicação. Consideramos muito tímida essa abertura”, aponta o documento.

O MEC informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que, em reunião ontem, com a presença de representantes das 51 universidades e institutos que participam do Enem/Sisu “ficou bastante claro que todas reafirmam seu apoio e sua satisfação pelo processo de seleção empreendido pelo Ministério da Educação”. O ministério ainda “questiona a representatividade e a autoria do documento”.

 

Reitores da UFMG e Unifal dizem que não concordam com críticas feitas ao Enem

Os reitores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) rejeitaram as críticas feitas pelo Fórum das Comissões de Processos Seletivos de Minas Gerais (Forcops) ao novo Exame Nacional do Ensino Médio. Tanto os dirigentes que deixam seus cargos quanto os que tomaram posse hoje (18) no Ministério da Educação (MEC) disseram que não reconhecem o documento divulgado ontem (18/03). [Leia a notícia publicada no O Estado de S. Paulo]

Eles também negaram que as suas universidades já tenham decidido descartar a utilização do Enem em substituição ao vestibular tradicional. Antônio Siqueira, reitor que deixa a Unifal esta semana, disse que as críticas “não eram apoiadas pela universidade”. O documento divulgado pela Forcops afirmava que o Enem estava “em descrédito”.

“O Sisu [Sistema de Seleção Unificada] é um processo que faz diferença na democracia e na mobilidade acadêmica”, defendeu.

Já o reitor que está deixando a direção da UFMG, Ronaldo Pena, disse que “funcionários podem expressar suas opiniões individuais, mas que só o reitor fala pela universidade”. Pena defendeu ainda que há interesses eleitorais na divulgação desse documento.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que “todo cidadão tem direito de expressar suas opiniões”, mas ressaltou que essas críticas não representavam a opinião das instituições.

Sobre as críticas feitas ao sistema pelo Fórum, Haddad defendeu que “não existe processo que não possa ser aperfeiçoado” e que todas as contribuições que estão sendo recebidas estão sendo analisadas pelo comitê de governança do novo Enem, que é formado pelo ministério, universidades e secretários estaduais de educação.

O novo reitor da Unifal, Paulo de Faria e Silva, disse que ainda é muito precipitado fazer avaliações sobre o Sisu “já que o processo ainda está sendo finalizado”. Segundo ele, esse debate será feito pelo conselho universitário da instituição.

A UFMG não participou do primeiro processo de seleção unificada, mas o recém-empossado reitor da instituição, Clélio Campolina Diniz, disse que a possibilidade de adoção do sistema ainda será discutida. Particularmente, ele disse ser favorável ao modelo.

“É preciso ter formas de seleção que superem o vestibular tradicional. Um novo sistema é bem-vindo e necessário. As dificuldades existem, mas esse é um país enorme, é impossível introduzir um sistema sem falhas. Eu espero que o Enem se estabilize e que o antigo modelo de vestibular seja superado a médio prazo”, defendeu.

(Agência Brasil)

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