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Livro sobre deficiência e trabalho

 

Neste sábado (4/07, das 9h às 13h), é o lançamento do livro “Trabalho e pessoas com deficiência – pesquisas, práticas e instrumentos de diagnóstico”, organizado pela professora da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Maria Nivalda de Carvalho Freitas(Dpsic), e pelo professor da UFMG, Antônio Luiz Marques. Será no Café da Travessa e Livraria (Av. Getúlio Vargas, 1.405 – Savassi em Belo Horizonte).

A obra é uma coletânea de pesquisas sobre a inserção de pessoas com deficiência no mercado, análises de experiências de inclusão em empresas públicas e privadas e apresentação de ferramentas que podem auxiliar as organizações no processo. Contribuíram com o livro pesquisadores e profissionais de recursos humanos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Santa Catarina, Bahia e Distrito Federal.

Cerca de oito milhões de trabalhadores portam algum tipo de deficiência. E isso representa só metade do total de pessoas com deficiência que estão em idade de trabalhar. A outra metade encontra as portas do emprego fechadas pelo preconceito ou pela falta de adequação das empresas.

O estudo aponta que a principal responsável pela exclusão das pessoas com deficiência das empresas é a falta de informação, mas há outros fatores que se combinam, de acordo com Marques. “Os gestores e profissionais de Recursos Humanos desconhecem as possibilidades de trabalho das pessoas com deficiência e isso gera dificuldade para recrutá-las. Outro problema é a baixa qualificação profissional de parcela significativa dessas pessoas.”

A professora Maria Nivalda acrescenta que mais um entrave é a seletividade que já existe no processo de recrutamento dos portadores de deficiência. “As empresas priorizam a contratação de pessoas com deficiência física parcial em prejuízo dos demais tipos, inclusive cadeirantes. As deficiências visual, mental e múltipla têm sido as menos inseridas nas organizações.”

O fato de uma empresa abrigar portadores de deficiência em seu quadro funcional não garante que ela seja inclusiva. Marques alerta que “algumas empresas selecionam essas pessoas tendo por critério a deficiência, isto é, são avaliadas pelo que lhes falta e não por suas possibilidades”. A consequência é a inadequação do cargo às competências do trabalhador. O professor cita como exemplos pessoas surdas que são alocadas em ambientes barulhentos sem que sejam consideradas suas habilidades específicas, ou a criação de setores formados inteiramente por pessoas com deficiência, de forma a segregá-las dos demais empregados.

Por outro lado, o estudo revelou iniciativas bem-sucedidas. Maria Nivalda destaca um programa criado por empresa de São Paulo que oferece qualificação profissional para portadores de deficiência e garante os recursos necessários para sua permanência no emprego, como intérpretes de Libras e adaptações arquitetônicas. “Lá, essas ações são sempre compreendidas como investimento que a empresa faz em pessoas – e nunca como gasto, custo ou despesa”, avalia.

Para que mais empresas atinjam o mesmo resultado é necessário mudar a forma de perceber a questão. “Precisamos deslocar nossos olhos da deficiência para a sociedade. A tarefa da sociedade e das organizações é dar igualdade real de oportunidade para as pessoas. Daí para frente, é com elas e com suas diferenças individuais”, diz a professora da UFSJ.

Primeira experiência
Há dois meses, Bruno Pinheiro, estudante do 6º período de Comunicação Social da UFMG, faz estágio na rádio UFMG Educativa, onde acumula duas funções: é produtor do programa “Universo Literário” e apresentador do “Em Caráter Experimental”. Cego, Bruno não teve problemas para se acostumar com o trabalho, já que o rádio sempre foi um de seus principais companheiros: “Eu escuto rádio desde pequeno e vim para a Comunicação sonhando com isso. Estou no lugar certo.”

Quem precisou se adaptar foi a emissora, que nunca tinha recebido um estagiário com deficiência. Nada de cadeiras espalhadas ou telefones fora do lugar. “Ele precisa saber onde as coisas estão para poder trabalhar”, explica o coordenador-executivo da rádio, Elias Santos.

Outra medida foi instalar em todos os computadores um software livre que lê telas. Bruno já tem um instalado em seu laptop, inclusive melhor que o adotado pela rádio, mas Elias defende que a opção pelo programa gratuito foi a melhor. “Colocamos o software em todos os computadores para que ele possa trabalhar em qualquer um deles. Se usar só o laptop dele, acaba não se integrando à equipe”, argumenta.

Para Bruno, o ideal seria ter no trabalho o mesmo programa de seu computador pessoal, mas entende a escolha da emissora. “Ele é muito caro. No mais, a rádio faz o possível para me dar condições de trabalhar.” Para Elias, o desafio é necessário. “Seria mais cômodo ter só estagiários que enxergam, mas a experiência é gratificante.”

(Por: Priscila Brito – Boletim on-line da UFMG)

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