Pular para o conteúdo Pular para a barra lateral do Vá para o rodapé

ENSINO SUPERIOR Como é o doutorado no Brasil em comparação com os programas de 17 países

Os programas de doutorado no Brasil, em comparação com as experiências europeia e americana, são ainda muito dependentes das agências de fomento governamentais, carecendo de identificar pontos de intersecção entre suas pesquisas e as empresas, obtendo, assim, maior financiamento da iniciativa privada. Outra característica do doutorado brasileiro é seu caráter extremamente “escolar”, em que o estudante continua mantendo com a instituição a mesma relação que tinha na graduação, ou seja, segue sendo apenas um estudante.

“São aspectos por nós já sabidos, mas pela primeira vez podemos fazer uma análise comparada do que é o doutorado em diferentes países e até que ponto existe uma convergência desses diferentes modelos em torno de um modelo único. E, ainda, identificar idiossincrasias nacionais que tornam esta experiência bastante discrepante de um país para outro”, afirmou a professora Elizabeth Balbachevsky, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, antes de conceder palestra na Unicamp na quarta-feira.

“A experiência do doutorado: uma análise comparada de 18 países” foi o tema do evento que fez parte da série de Seminários sobre Ensino Superior organizada pelo Centro de Estudos Avançados (CEAv). A análise está baseada em dados produzidos pela rede de pesquisa internacional “The Changing Academic Profession”, coordenada pelos professores Ulrich Teichler (Alemanha) e Williams Cummings (EUA) e que integra pesquisadores desses mesmos países, incluindo o Brasil.

Elizabeth Balbachevsky apresentou pela primeira vez esta análise preliminar dos dados da pesquisa, que tem como tema geral as mudanças que vêm ocorrendo na inserção de doutores na sociedade e na academia, diante das profundas reformas em andamento no ensino superior. “Minha análise está focada principalmente no doutorado, que é peça chave na formação da competência avançada para pesquisa e inovação. Outro aspecto inédito nesta amostra com 25 mil entrevistas, é um subgrupo de cerca de seis mil professores de ensino superior dos 18 países, que foram submetidos a uma bateria de questões para avaliar a experiência que tiveram quando fizeram o doutorado”.

Em relação aos alunos de doutorado, a pesquisadora da USP observou que nos EUA e Europa muitos deles são incorporados como professores assistentes de pesquisa e de ensino, passando a participar do dia a dia do departamento ao qual o programa está vinculado. “No Brasil esta incorporação não existe, inclusive porque é proibido às universidades. Isto dá ao nosso doutorado, em muitas experiências, um caráter extremamente escolar, o que acaba limitando a competência acadêmica que ele precisa formar durante este período”.

Segundo Elizabeth Balbachevsky, a cobertura da pesquisa “The Changing Academic Profession” foi bastante dispersa regionalmente, identificando realidades tão diversificadas quanto interessantes em países como Brasil, Argentina, México, Malásia, China, Japão, África do Sul, Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Itália, Portugal, Noruega e Finlândia.

Fonte: Unicamp Online

Mostrar ComentáriosFechar Comentários

Deixe um comentário