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Enem como vestibular

 

O reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Alfredo Julio Fernandes Neto, critica a proposta do governo federal de unificação do vestibular nas universidades públicas e diz que a ideia apaga peculiaridades regionais e “padroniza o que deveria ser plural”.

De acordo com o reitor foi uma conquista ao longo do tempo incorporar regionalismos culturais e elaborar um único processo seletivo para as 55 instituições federais do Brasil enfraqueceria as culturas locais. “O Brasil é marcado por sua expressiva diversidade cultural e regional, não se pode sufocar as diferenças”, afirma.

Outro ponto da proposta que desagradou o reitor foi a insinuação de que provas elaboradas em Brasília superariam em qualidade as confeccionadas nas próprias universidades. “Nós temos um corpo docente capaz dentro da universidade, nunca tivemos problemas com fraudes no nosso vestibular”.

A proposta de modificação nos vestibulares foi elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao MEC que é responsável por todas as provas de avaliação educacional feitas pelo governo federal.

A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), entidade que reúne todos os reitores de instituições federais, está discutindo o o tema (Veja Matéria).

Estudantes gostam da ideia proposta pelo MEC

A criação de um nova forma de ingresso e a extinção do atual modelo de vestibular nas universidades federais agradou à estudante Caroline Vieira Araújo, 16 anos. Ela cursa o 2º ano do ensino médio numa escola particular de Uberlândia e pensa em fazer medicina.

Além da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pretende pleitear vaga na Universidade de Brasília (UnB). “Como os três anos de ensino médio que estou cursando estão voltados para o vestibular da UFU, se não passar aqui devo procurar pré-vestibular de seis meses em Brasília, para focar conteúdos específicos do vestibular deles”, diz.

Também Renan Novaes Cunha, 19 anos, viu positivamente a proposta do MEC. O aluno do 3º ano do ensino médio de uma escola particular de Uberlândia está preocupado com os custos que a família terá que arcar caso não consiga passar no processo seletivo para Ciências da Computação na UFU.

“A maioria das federais tem o vestibular em duas fases e cada fase em dois dias, então fico pensando nas despesas com viagem, alimentação, hospedagem, enfim, a unificação do vestibular no país vai tornar a vida do estudante que aspira ao ensino superior muito mais fácil”, afirma.

A estudante Mariane Carvalho Faria, 16 anos, que cursa o 2° ano do ensino médio em uma escola particular de Uberlândia, afirma que a proposta tem pontos positivos e negativos. O ganho para o estudante, segundo ela, seria concentrar o estudo em um conteúdo único.

“Mas o conteúdo cobrado em cada Estado é bem diferente, acho que antes de se pensar um vestibular unificado seria preciso unificar o ensino para todos aprenderem a mesma coisa”, diz.

Bianca Guimarães Rodrigues, aluna do 2º ano do ensino médio numa escola particular de Uberlândia, acha que o vestibular unificado facilitaria a vida daqueles estudantes que tentam vagas em várias universidades federais. “Ele não precisaria sair da cidade dele para fazer vestibulares em outros Estados, isso reduziria gastos”.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) considera positiva a proposta de um vestibular unificado apresentada pelo Ministério da Educação (MEC). A direção da UNE defende que os estudantes e a comunidade acadêmica sejam ouvidos durante o processo de criação do novo modelo.

Fonte: Jornal Correio de Uberlândia 5/04 (Repórteres: Gislene Tiago e Manoel Serafim – em 22/12/2008)

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