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Debate na ALMG

Na tarde desta segunda-feira (17/5)o Debate Público Ciência, Tecnologia e Inovação em Minas Gerais, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMMG) , realizado pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática, representantes das Universidades do Estado de Minas Gerais (Uemg) e Estadual de Montes Claros (Unimontes) constataram que uns dos principais problemas das duas instituições é a falta de recursos para qualificação do corpo docente.

O evento, proposto pelo deputado Carlin Moura (PCdoB), ocorreu na manhã e tarde desta segunda. O objetivo foi discutir perspectivas e colher contribuições para a “4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação”, marcada para 26 a 28 de maio, em Brasília. À tarde, os trabalhos foram dirigidos pelo presidente da Comissão de Educação, deputado Ruy Muniz (DEM), e contaram também com as participações do reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Luiz Cláudio Costa, e da presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Elisângela Lizardo.

Investimentos

Com um diagnóstico das atividades das instituições, a reitora da Uemg, Janete Paiva, e a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Unimontes, Sílvia Nietsche, enfatizaram a necessidade de mais professores com doutorado, como forma de atrair recursos para pesquisa. Janete Paiva destacou a relativa juventude da Uemg, frente a instituições como a UFMG e a UFV, como um dos fatores da baixa titulação do corpo docente. Segundo a reitora, somente 9% dos professores da Uemg têm doutorado, contra 70% da UFMG, “que, no entanto, já tem 80 anos de funcionamento, enquanto a Uemg só tem 20”, afirmou ela.

A Uemg enfrenta obstáculos também na contratação dos professores. “Quarenta por cento ainda são de contratação temporária. Até 2007, eram 80%, por isso pedimos ajuda da Comissão de Educação para resolver a situação de concursos para professores”, disse a reitora. Ainda assim, segundo ela, a instituição tem se destacado em alguns campos, como a Escola de Design, detentora de prêmios em projetos de pesquisa. A Uemg tem dez unidades distribuídas por seis municípios, com 28 graduações e 1,8 mil vagas. As cinco unidades da Capital oferecem 13 cursos.

A pró-reitora Sílvia Nietsche, da Unimontes, afirmou que, apesar das dificuldades, a Universidade tem sido referência para o desenvolvimento regional do Norte mineiro e dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Segundo ela, os mais de R$ 200 milhões de investimentos em Montes Claros e região nos últimos anos, por empresas nacionais e estrangeiras, devem-se em grande parte à qualidade dos recursos humanos, resultado da excelência da graduação da instituição.

De acordo com a pró-reitora, a Unimontes é importante centro captador de recursos para bolsas, sendo que em 2009 foram R$ 9 milhões, de instituições públicas e privadas. A universidade tem 12 mil alunos divididos em 12 unidades e 1,3 mil professores, sendo 135 doutores. Atualmente, mantém 241 projetos de pesquisa e convênios com universidades de países diversos.

Atuação estratégica

O reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Luiz Cláudio Costa, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelas instituições mineiras de ensino superior, mas celebrou o momento vivido pelo estado nessa área. Na avaliação dele, o sistema de ciência e tecnologia de Minas Gerais é o melhor do País. O reitor falou sobre o papel das instituições públicas federais de ensino superior no desenvolvimento do Estado.

Costa destacou a excelência do corpo docente das universidades mineiras e o avanço dos cursos de pós-graduação. Minas Gerais tem 10,5 mil professores só nas universidades federais. No mesmo universo, os cursos de mestrado, mestrado profissionalizante e doutorado somam 430, distribuídos em 292 programas de pós-graduação. Vinte e três deles têm conceito 6 ou 7, os mais altos conferidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O reitor também apontou como fatores positivos a qualidade dos institutos federais de ensino tecnológico do Estado e o papel da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) no financiamento de projetos na área. Para Costa, chegou o momento de os atores de ciência e tecnologia em Minas agirem de maneira estratégica. “Precisamos parar de pensar só nas nossas necessidades. Temos de identificar quais são as demandas do Estado e como podemos contribuir para resolvê-las. Precisamos agir como sistema”, declarou.

Recursos humanos

A presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos abordou a formação de recursos humanos em ciência. Em referência à fala do reitor da UFV, Elisângela Lizardo concordou que a realidade é positiva em Minas Gerais, mas disse que o mesmo não ocorre em outras regiões do País, sobretudo Norte e Centro-Oeste. Segundo ela, o Brasil tem uma carência histórica de investimentos na área, que nos coloca em defasagem em relação a países desenvolvidos.

No que diz respeito à formação de recursos humanos, Elisângela demonstrou preocupação com o possível não cumprimento da meta do Plano Nacional de Pós-Graduação. Elaborado em 2005, o documento projetou que o País teria, em 2010, 16 mil doutores e 45 mil mestres. No ano passado, no entanto, esses números eram, respectivamente, 10 mil e 35 mil. A presidente da ANPG defendeu a formação de docentes comprometidos com as demandas sociais brasileiras.

Sugestões

Carlin Moura informou, no fim do Debate Público, que a Comissão de Educação vai enviar documento à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior relatando as discussões, sobretudo relativas às carências das universidades estaduais; as sugestões levantadas no evento também serão enviadas à “4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação”.

 

(Assessoria de Comunicação ALMG)

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