Pular para o conteúdo Pular para a barra lateral do Vá para o rodapé

Cheiro de esperança

Pesquisa de AZT por via nasal promete diminuir dosagem e efeitos colaterais

 

O primeiro antiretroviral aprovado para o tratamento clínico da Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida (AIDS) foi o AZT. Entretanto, esse fármaco apresenta baixa biodisponibilidade oral, porque no fígado é transformado em substâncias inativas ou tóxicas. Somente 60 % da dose administrada chega na circulação sanguínea, que requer grandes quantidades para manter a efetividade terapêutica. Isso resulta em graves consequências como o não alcance de alguns reservatórios do vírus HIV, caso do Sistema Nervoso Central (SNC), aumento da toxicidade e efeitos adversos.

Iniciativas para aumentar o tempo e a qualidade de vida desses pacientes são cada vez mais necessárias. Segundo informações do Ministério da Saúde, entre 1980 e 2007 foram identificados 474.273 casos de AIDS no Brasil. Com o objetivo de encontrar soluções para superar as deficiências do AZT, um grupo de pesquisadores desenvolve estudo para possibilitar a utilização do medicamento por via nasal. Isso irá diminuir a quantidade do fármaco e conseqüentemente dos efeitos colaterais.

Apesar do potencial da via nasal, há algumas barreiras que limitam a absorção sistêmica das substâncias, como o mecanismo de depuração mucociliar, que remove a formulação da cavidade nasal. Flávia Chiva Carvalho, aluna de Doutorado do Programa de Ciências Farmacêuticas da Unesp e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), desenvolveu um sistema que mistura água, óleo e tensoativo. A mistura forma estruturas que possibilitam maior aderência do medicamento na mucosa, além de aumentar a permeação e absorção.

“À medida que o conhecimento científico na área de nanociência avança, soluções tecnológicas inovadoras para novos ou antigos problemas são desenvolvidas”. Para Flávia, essa é alternativa é mais viável do que a criação de novos medicamentos, que além do elevado custo podem levar vários anos de pesquisa antes de serem comercializados.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante a distribuição gratuita dos medicamentos para aproximadamente 180 mil pacientes soropositivos e produz oito dos quinze medicamentos que compõem o coquetel. “Para diminuir a dependência do Brasil às multinacionais é de extrema importância que o governo foque na pesquisa de medicamentos”, afirmou a pesquisadora.

Para a doutoranda o próximo passo é avaliar a toxicidade dos sistemas e a absorção em modelos animais. “Será testada a quantidade de AZT absorvida pela corrente circulatória em ratos e quanto tempo ele fica no organismo. Se os resultados forem positivos, futuramente poderemos passar para estudos em humanos”. Os testes em animais começam ainda este ano e serão finalizados em 2010. Se os perfis de toxicológico e absorção forem favoráveis, os exames em humanos começam em 2011.

Trabalho de equipe

Em outro estudo, a pesquisadora Rubiana Mara Mainardes desenvolveu dois tipos de nanopartículas contendo AZT: uma visando aumentar o tempo de circulação do fármaco no sangue e outra para que o AZT seja rapidamente absorvido. “O objetivo foi desenvolver nanopartículas com propriedades biofarmacêuticas diferentes. Uma irá se acumular nos macrófagos (células altamente infectadas), a outra, de longa circulação, poderá liberar o fármaco em outros sítios, afirmou. As novas formulações já foram testadas em modelo animal, sob orientação da Professora Maria Palmira Daflon Gremião.

(Assessoria de Imprensa do CNPq)

 

Mostrar ComentáriosFechar Comentários

Deixe um comentário