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Tratamento da tuberculose

Brasil fabrica primeira droga totalmente nacional para tratamento da tuberculose


Emily Brontë aos 30 anos, Frédéric Chopin, aos 39, Franz Kafka com pouco mais de 40, além dos brasileiros Castro Alves, com apenas 24 anos, e José de Alencar com 48, entre outros artistas célebres, foram mortos pela tuberculose. Mas o bacilo Mycobacterium tuberculosis não é seletivo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população mundial está infectada, desse total 10% irão desenvolver a forma ativa da doença. Outros números indicam que mais de 30 milhões de pessoas morreram em decorrência da moléstia nos anos de 1990.

O bacilo pode permanecer dormente até que as defesas do corpo sejam diminuídas, como no caso de soropositivos ou imunodeprimidos por fármacos. Atualmente, o tratamento preconizado pela OMS utiliza a combinação de quatro drogas: Isoniazida, Rifampicina, Pirazinamida e Etambutol, que possuem mecanismos de ação distintos e evitam o surgimento de mutações que levam à resistência. Contudo, o maior problema para o tratamento da enfermidade foi o surgimento de amostras MDR e XDR (Mutiple Drug Resistance e Extensively Drug Resistance, respectivamente nas siglas em inglês). As MDR são resistentes pelo menos a Isoniazida e Rifampicina e as XDR são resistentes a quase todas as drogas, incluindo as de segunda linha, e virtualmente intratáveis.

Em busca do tempo perdido

A droga mais recente utilizada para tratar a tuberculose foi introduzida há quase 40 anos. Ao que parece a indústria farmacêutica não se empenhou para criar novos fármacos, uma vez que 95% dos casos registrados da doença ocorrem em países não desenvolvidos. Entretanto, pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Tuberculose (INCT-TB), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolveram os compostos IQG607 e IQG639 para tratar a enfermidade.

Os testes in vivo, ou seja, com animais, se mostraram extremamente promissores. “Os nossos compostos são diferentes, pois matam as amostras resistentes às atuais drogas e se mostraram atóxicos”. Afirma o coordenador do INCT-TB e bolsista do CNPq, Diógenes Santiago Santos (PUCRS). “Estes seriam os primeiros farmoquímicos de concepção inteiramente nacional. As drogas para tratamento da TB são importadas da Índia, China, Coréia do Sul e distribuídas gratuitamente pelo governo federal através do SUS (Sistema Único de Saúde)”, completa, entusiasmado, o pesquisador.

Os estudos de toxicidade aguda e crônica são importantes para definir as doses mínimas, máximas e efeitos colaterais. “Nos ensaios já concluidos, verficamos que os compostos são pouco tóxicos comparados à isoniazida, o corte foi de dois gramas por quilo de peso, em ratos Wistar. Para se ter uma idéia, 250 miligramas de isoniazida por quilo de peso, mata 100% dos animais testados em duas horas, devido à hepatotoxicidade e neurotoxicidade da droga”, afirma Santiago.

Os fármacos, que começaram a ser desenvolvidos em 2001, foram patenteados para proteger os achados, mas, para baratear o produto final, a patente será aberta no momento da produção comercial. O que não deve demorar, como explica Diógenes “Estamos em discussão com um grande laboratório farmacêutico nacional, para a formulação da droga que será de uso oral”.

Saúde para o mundo

Os ensaios clínicos fase I e fase II, testes em humanos, devem começar imediatamente e serão conduzido pelo Professor Reynaldo Dietze, do Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Nesta fase, existe a possibilidade de uma cooperação com o governo sul africano. “Discutimos a real possibilidade de produzirmos as drogas no Brasil, com financiamento do Governo Federal e em seguida, fazermos os ensaios clínicos no Brasil e na África do Sul, sobretudo nas áreas onde vicejam as amostras XDR que são realmente mortais, dada a co-infecção com o HIV”, arremata o pesquisador.

Curiosidades

O nome tuberculose decorre do tipo de lesão que a bactéria mycobacterium tuberculosis causa nos pulmões, caracterizada por nódulos, ou tubérculos, de matéria morta, com coloração acinzentada.

Heinrich Hermann Robert Koch, médico, patologista e bacteriologista, foi um dos fundadores da microbiologia e está entre os principais responsáveis pela atual compreensão da epidemiologia das doenças transmissíveis. O cientista alemão descobriu o causador da doença em 1882, por isso, o vetor da moléstia também é conhecido como “bacilo de Koch” (foto).

 

(Por: Assessoria de Comunicação Social CNPq)

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