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Vestibular em

Seminário: novo Enem

 

Presidente da Andifes participou de seminário sobre o assunto, esta semana, em Brasília


O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) reitor Amaro Lins (UFPE) foi um dos expositores do seminário “Reestruturação metodológica do Enem – vestibular tradicional versus prova única com validade nacional”, promovido pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) na manhã desta terça-feira (5/05) em Brasília. Também participaram como expositores o diretor de avaliação da educação básica do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação (MEC) Heliton Tavares, o coordenador executivo do vestibular da Unicamp Leandro Tessler e a gerente do departamento acadêmico da Fundação Cesgranrio Maria Vitória de Carvalho.

Primeiramente, Heliton Tavares apresentou um panorama geral da proposta de modificação do atual modelo de processo seletivo das universidades a partir de uma reformulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A partir desta iniciativa, Heliton apontou novas funcionalidades para o Enem: o aceno para a reestruturação do Ensino Médio, o uso do exame para certificação (substituindo o atual Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos – Encceja) e a existência de um processo de seleção unificado para o Ensino Superior.

O representante do MEC reconheceu que o Enem já sofreu críticas devido à sua falta de vinculação com os conteúdos curriculares do Ensino Médio, mas ele acredita que tal distorção pode ser corrigida com o novo Enem: “Há a possibilidade concreta de estabelecer uma relação positiva entre os ensinos médio e superior”, afirmou Heliton Tavares.

Em relação a questões técnicas, Heliton Tavares destacou a correção das redações, segundo ele, a etapa mais complicada e demorada: foram 1.600 corretores na última edição, número que deve passar para 3 mil em 2009. Ele também falou da decisão do comitê de governança de aplicar provas de idiomas estrangeiros apenas em 2010 e explicou o sistema usado para formulação do novo Enem, chamado “teoria da resposta ao item”. “Este é um processo que está em construção, e não é bom que seja logo fechado. Não houve imposição nenhuma e podem haver alterações ano a ano”, avaliou Heliton Tavares.


Aprender a aprender
O presidente da Andifes, reitor Amaro Lins, abordou algumas preocupações relativas ao processo de modificação dos vestibulares. Segundo ele, este é um tema de fundamental importância, que está em pauta em cada lar da sociedade brasileira. Para o reitor Amaro, é preciso avaliar que tipo de alunos as universidades querem: “O aluno precisa aprender a aprender, e para isso precisa ter sido formado desde o início do Ensino Fundamental com tal visão”, destacou.

O presidente da Andifes afirmou que as universidades querem um aluno que tenha formação crítica, pois atualmente as salas de aula são espaços de criação: “Não queremos um aluno que saiba um conjunto de fórmulas e um conjunto de datas e nomes”. Neste âmbito está a prerrogativa do novo Enem, que pretende relacionar os conteúdos com a prática cotidiana e avaliar se os alunos têm essa capacidade de relação. Porém, o reitor Amaro afirma que, para ser um exame de seleção para o nível superior, é preciso mais coisas. 

Ele deixou claro que as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) estão em processo de discussão do tema. “Achamos que esta proposta é um avanço. Além de ser uma antiga demanda, que ganhou espaço no país, ela traz outras discussões, como a questão da oferta de vagas do Ensino Superior e a preocupação com a permanência. Sobre o coletivo das Ifes, ele analisou: “Creio que a maioria vai participar; este ano de acordo com as condições e ano que vem melhorando o processo”, afirmou o presidente da Andifes.

Debate
Leandro Tessler contou a história do vestibular da Unicamp e elencou pontos positivos e negativos do novo Enem. Ele disse que os pontos positivos seriam a mobilidade permitida pela prova nacional, a flexibilidade na adesão ao novo sistema, o efeito sobre o Ensino Básico e a busca de alunos talentosos. Do lado negativo estariam a gestão pelo Estado, que segundo ele pode gerar instabilidades, o dinheiro que pode ser perdido com a não realização dos vestibulares e as fragilidades logísticas do sistema, como a questão da segurança, por exemplo.

A representante da Fundação Cesgranrio, Maria Vitória de Carvalho afirmou que a fundação apoia a proposta de modificação do processo seletivo por substituir uma maratona de vestibulares, pela contribuição à democratização do acesso ao ensino superior e porque o novo Enem está preocupado em avaliar habilidades e competências. Maria Vitória ainda ressaltou: “Ainda sonhamos com o dia em que não precise mais haver o vestibular, em que ocorra uma avaliação continuada ao longo do Ensino Médio”. Segundo ela, isso pode ser pensado para o futuro, como uma possibilidade mais efetiva de melhorar a educação básica e garantir acesso ao ensino superior.


Por: Ana Paula Vieira (portal Andifes – 5/05/09)

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