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Que curso vou fazer?

Ainda não sabe que curso escolher? Para você que está chegando agora ao "mundo dos vestibulares". Se ainda tem dúvidas sobre sua futura carreira, saiba que não é o único passando por isso. Compartilhe a experiência de quem já passou e falou desta angústia:

Esta é uma das "Coluna -Blog", escrita por Matheus Tonani, para o Minas Vestibular. Ela foi publicada, inicialmente, em março de 2006. Como tantos outros vestibulandos, ele estava à procura de um caminho/carreira, e estava cheio de dúvidas. As questões que ele levanta permanecem atuais. Principalmente para você, vestibulando que começa a trilhar seu caminho. Confira:

A Estrada da Escolha

Uma das "algumas" escolhas que um vestibulando tem que fazer é a escolha do curso. O problema central é que normalmente não é simplesmente a escolha de um curso, pois, partindo do pressuposto de que a faculdade é a primeira experiência profissionalizante que a maioria de nós iremos vivenciar, a escolha do curso é, basicamente, a escolha da profissão que iremos exercer até o fim da vida (ao menos profissional). Agora, se não nos permitem sequer dirigir, alegando falta de responsabilidade da parte de vários, será que somos responsáveis o suficiente para tomar tal decisão?

Ainda esta semana, eu estava discutindo esse assunto com alguns amigos e amigas minhas. E o que me parece fácil de perceber é que, cada vez mais, vestibulandos não têm a mínima idéia do que irão fazer da vida. Claro que existem muitas justificativas pra esse aumento de dúvida. O crescimento do número de cursos ofertados pelas faculdades é um ótimo deles. Só a UFMG oferece 56 cursos de graduação [Nota Editores: dados de 2006. Veja a oferta atual] dentre as mais diversas áreas, e já foi comentado que ao estendermos essa pesquisa às faculdades particulares, verificamos uma gama de 170 cursos superiores, sem contar os técnológicos. Ainda nesse tópico, é fácil defender também o aumento, quase exponencial, do número de faculdades só na cidade de Belo Horizonte, quem dirá no interior do estado.

Então, como fazer essa escolha de forma responsável e segura? Eu simplesmente não tenho a mínima idéia. Longe de um orientador profissional (Taí pelo menos uma coisa que eu tenho certeza que eu não quero ser), eu sou simplesmente um vestibulando, como a maioria de vocês. E, por acaso, passo por esse mesmo dilema de escolha vocacional-profissional.

Primeiro, essa história de vocação só serve pra me deprimir mais, pois parece que todo mundo tem uma, menos eu. Em todas as tentativas de ajuda à escolha, sejam feitas pelo colégio ou pela minha própria família, o exemplo escolhido é normalmente de alguém que, parece, exalava vocação à distância. Ele comia, dormia, respirava, falava e espirrava a vocação. Será que ninguém percebe que o ideal seria aproximar o exemplo da nossa realidade? Mostrar que até as pessoas que são bem-sucedidas profissionalmente já tiveram dúvidas e reservas sobre a escolha da profissão?


Ainda nessa edição, não tem como deixar de comentar do curso mais escolhido pelos vestibulandos de BH (pelo que podemos perceber por aí, não verifiquei nenhuma pesquisa sobre isso), Medicina (Nota dos Editores: ano de 2006). Não sei quanto a vocês, mas pra mim pra uma pessoa ser médica, ela tem que simplesmente nascer pra isso. Não é fácil você ficar naquela rotina todo dia, salvando um monte de vidas e perdendo mais ainda, todos os dias da semana, vinte e quatro horas por dia. Acontece que atualmente muitas pessoas escolhem esse curso pela remuneração que ele propicia, ou então por que o curso tá na moda, ou ainda por que "o meu pai quer". Nada contra medicina, de verdade. Não quero que vocês me entendam como algum preconceituoso daqueles tipos que quando a pessoa fala medicina até cospe no chão. Não tem nada a ver. Eu admiro muito aqueles que decidem seguir essa carreira, até porque eles vão ter que ralar um tanto pra chegar lá, e depois o mesmo para se manterem ativos, e, além de tudo, é uma profissão pra lá de nobre. E não, eu não quero desencorajá-los porque eu quero fazer medicina, já que esse é um dos últimos cursos que eu escolheria para a minha vida (Só nesse texto já eliminei dois cursos, agora só faltam 168!).

Antes de terminar, eu queria só refletir sobre uma coisa que me ocorre na cabeça sempre - e quando eu digo sempre, eu realmente quero dizer sempre - que eu penso na minha escolha (o que é bastante freqüente): será que já somos assim tão responsáveis a ponto de sermos capazes de escolher o rumo que nossa vida profissional vai tomar? Claro que ainda não somos capazes de saber se vamos ser bem-sucedidos, se vamos amar ou odiar aquilo que fazemos, e qual especialização que iremos escolher, mas no máximo até o fim do ano (no meio, na verdade, que é quando são normalmente as inscrições para o vestibular do fim do ano) temos que escolher qual estrada vamos ter que trilhar.

Será que algum dia não vamos olhar pra trás e amaldiçoar o dia em que escolhemos a profissão errada? Ou então será que um dia vamos nos abençoar e agradecer porque fizemos a decisão certa? Será que adolescentes que ainda não são sequer cotados como responsáveis para assumir a direção de um automóvel (a não ser que o projeto de lei para dirigir aos 16 anos tenha sido aprovado e eu não sei) são capazes de não errar o caminho nessa estrada cheia de escolhas? Acho que para aqueles que têm a mesma dúvida que eu, só resta pesquisar e ter o maior nº de informações possíveis sobre o assunto e os cursos, e torcer pra daqui a alguns anos nos depararmos com a segunda opção...

Até a próxima!


Matheus

(Veja a resposta de uma Orientadora Vocacional ao Matheus)

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