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Qual o limite de disciplinar?

Até que ponto deve chegar a imposição de limites em sala de aula?

Conflito em Caxias do Sul traz à tona debate entre pais e professores. A conduta de uma professora da cidade, que admitiu ter usado fita adesiva para tapar a boca de um aluno de cinco anos no início desta semana, reacendeu uma discussão antiga entre educadores e psicólogos e colocou em alerta pais e familiares de crianças em idade escolar: afinal, até que ponto deve chegar a imposição de limites em sala de aula?

Para a maioria dos especialistas – e desespero dos pais –, não há uma resposta pronta para a questão. Segundo o psicoterapeuta Renato Piltcher, da Sociedade de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, há apenas uma certeza: a busca por disciplina passa dos limites quando descamba para a violência. "Não dá para medir com fita métrica até onde se pode ir ao impor limites, mas é evidente que tudo que envolva maus-tratos ou agressões físicas é ruim", avalia Piltcher.

No caso de Caxias do Sul, a atitude da educadora, segundo o professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, Euclides Redin, pode deixar sequelas perenes na criança.

A família do garoto constatou a agressão após perceber que ele estava machucado. Segundo a mãe, uma auxiliar de produção de 43 anos, o menino voltou da Escola de Educação Infantil Aprendendo a Viver com pequenas bolhas no rosto. Perguntado sobre o que havia acontecido, ele contou que a professora havia colado uma fita sobre seus lábios. A versão foi confirmada por colegas, e a professora foi demitida.

Crianças dessa idade devem ser estimuladas

O mais grave na história, na opinião da professora de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tania Beatriz Iwaszko Marques, é que as crianças nessa idade devem ser estimuladas a falar, brincar e correr, e não o contrário. Essas atividades são fundamentais para o desenvolvimento infantil. "Nessa idade, as crianças falam o tempo todo, e isso é importante para a formação delas. Se o educador não consegue tolerar, está na profissão errada" – resume a professora da UFRGS.

Por trás de atos impensados, porém, pode haver mais do que intolerância. Muitas vezes, segundo a diretora do Sindicato dos Professores de Ensino Privado do Estado (Sinpro-RS), Cecília Farias, os educadores vivem rotinas estressantes. "Fico imaginando o grau de tensão que essa professora deve passar para chegar a um ato violento. Os professores precisam de mais apoio das escolas e da sociedade", diz Cecília.

Fonte: Zero Hora

 

 

 

 

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