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Vestibular em

Profissionalização precoce prejudica

"O que você vai ser quando você crescer"? A busca de uma resposta para esta pergunta, sempre dirigida a adolescentes e jovens, foi a base da palestra de abertura da “12ª Semana do Instituto de Ciências Exatas (ICE)”, proferida pelo professor da Universidade de Campinas e membro do grupo assessor do Reuni, Leandro Tessler, nesta segunda-feira (20/10).
 
Em sua apresentação, Leandro Tessler, apresentou informações sobre o ensino de graduação nos Estados Unidos e fez considerações e alertas a respeito do ensino no Brasil, com destaque para a prática da profissionalização precoce dos alunos. Nos Estados Unidos, há várias possibilidades de ingresso, inclusive adoção de cobrança de mensalidade por universidades públicas de quem pode pagar, e é comum os alunos se matricularem sem definir antecipadamente qual curso pretendem concluir, as chamadas vagas não-declaradas. "O ingresso em uma instituição de ensino americana não pressupõe, obrigatoriamente, a escolha de uma carreira", esclarece.
 
Tessler fez críticas ao formato de seleção adotado pelas instituições de ensino do Brasil que, segundo ele, não atende à demanda do país e deixa milhares de jovens fora das universidades. "A sociedade dá muito valor ao diploma e chega ao ponto de usá-lo como instrumento de segregação", afirma.
 
O professor da Unicamp destaca que a raiz da universidade é de formação geral. Porém, isso se perdeu com o tempo. Ele enfatiza que a formação geral garante uma educação muito além da área de especialização: proporciona vivência em assuntos não buscados pelos estudantes; estimula a convivência entre estudantes de diferentes áreas do conhecimento e permite adiar a decisão sobre a carreira, além de otimizar recursos das instituições.
 
Ele informa que no índice de competitividade o Brasil aparece em 40º lugar e é um dos sete que adota a formação profissionalizante. A Academia Brasileira de Ciências recomenda a implantação de disciplinas de formação geral nos currículos brasileiros. "O Reuni representa uma excelente oportunidade para a
implantação do conceito de formação geral no Brasil", afirma. Mesmo sem resposta, Tessler indagou "Por que confundimos graduação com adestramento profissional"?
 
UFJF – Na avaliação de Leandro Tessler, o Plano de Expansão e Reestruturação da UFJF é um dos que tem boas perspectivas de dar certo, mas vai exigir motivação e articulação das pessoas. "A proposta da UFJF é de renovação do ensino e terá relevância não só para a UFJF mas também para o Brasil", afirma.
 
A solenidade de abertura contou ainda com a participação do diretor do ICE, professor Rubens de Oliveira, do Pró-Reitor de Graduação, professor Eduardo Magrone e do Reitor da UFJF, professor Henrique Duque, além de Diretores de Unidade e Coordenadores de cursos, e professores.
 
Discurso do Reitor, professor Henrique Duque
 
"Inicio a minha fala pedindo licença ao professor Leandro Tessler, que fará a palestra de abertura desta semana. Quero indagar: ´Para que serve a graduação e também a educação?’ Tema de reflexão eterna, a graduação no país está prestes a iniciar uma nova era por um novo caminho. O modelo atual já deu sinais de esgotamento e o papel do ensino superior é exatamente o de oferecer alternativas e inovações.
 
Me sinto à vontade para falar sobre superação de desafios neste Instituto. O ICE é um dos pilares da busca de renovação no ensino. A partir do ano que vem, nestas salas de aula, 285 novos alunos que ingressarão pelo Vestibular e PISM, terão a oportunidade de primeiro conhecerem a Universidade, e só depois escolherem com qual curso se identificam mais e assim se qualificarem para o mercado. Esta inovação dará o direito aos jovens de se informarem, consolidarem uma base e só depois tomarem uma decisão.
 
São neles em quem devemos pensar: meninos e meninas, que cada vez mais cedo, precisam escolher a profissão que vão seguir para o resto da vida. Tirar essa pressão de cima deles poderá ter como fruto, no futuro, profissionais mais felizes e um índice menor de evasão das salas de aula das Universidades.
 
Neste momento, entendo que o desafio a que se propõe o ensino superior é um dos mais nobres. E, independente de questões políticas, não podemos subjugar seus objetivos que, entre muitos, quer garantir o acesso de mais jovens aos cursos oferecidos por instituições de ensino de qualidade. Ao aceitarmos buscar um novo modelo de formação, não só estamos criando cursos e contratando mais professores e técnico-administrativos, mas também estamos oferecendo a todos uma oportunidade de reflexão e uma chance de transformar, para melhor, nosso modelo de ensino.
 
A educação nunca foi e nunca será um processo pronto e acabado. É de sua essência motivar polêmica e discussões. A educação tem tarefas diferentes e enquanto não soubermos o que a educação deveria fazer pelo homem, não podemos começar sua educação.
 
A oportunidade que nos está sendo dada é exatamente de trilhar um novo caminho e levarmos, pelas mãos, uma juventude que também anseia por inovações e busca um ensino atraente e de qualidade".
 
Por: Assessoria de Imprensa da UFJF.

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