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Pesquisa de Energia Limpa

 

Óleo de Soja: pesquisa, na UFSJ, pode transformar em biocombustível mais puro e econômico

 


Um dos maiores focos do Laboratório de Pesquisa em Química de Proteínas e Biocatalisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), instalado no Campus Centro Oeste Dona Lindu, está na área de Biodiesel. O laboratório é coordenado pelos professores do Curso de Bioquímica, Saulo Luís da Silva, José Antonio da Silva e Paulo Afonso Granjeiro.

Segundo os pesquisadores, o biodiesel é tema de uma grande discussão no meio científico, sendo que pesquisas nesta área tem sido extremamente incentivadas pelos Governos Federal e Estadual, que disponibilizam verbas para execução de projetos.

Em Minas Gerais, o campo de pesquisa é extremamente amplo e produtivo, uma vez que no estado é possível diferentes plantas que possuem grande capacidade de extração de óleo vegetal, como a mamona, pinhão manso, macaúba e outros.

Ancorado em sua formação de bioquímico, o professor Saulo criou o projeto do biodiesel na UFSJ. O objetivo é isolar enzimas chamadas lipases que podem ser usadas no processo de fabricação desse combustível de forma mais eficiente. Lipases são enzimas que atuam na quebra de lipídeos (gorduras), transformando-os em moléculas menores. Em escala industrial são usadas no tratamento de efluentes com alta carga de material orgânico.

Como funciona
O processo enzimático pesquisado na UFSJ apresenta uma enorme vantagem econômica sobre a forma tradicional de produção de biocombustível. Com o uso de enzimas se torna necessária menos energia para se produzir o biodiesel, resultando num produto com enorme grau de pureza mesmo que o óleo vegetal inicial não seja tão puro.

Para completar, o processo tradicional apresenta um alto custo, já que se perde muita matéria prima em função da liberação de subprodutos como a glicerina e sabão, além de apresentar resíduos que não podem ser utilizados ou pelo menos não usados imediatamente.

O método biocatalítico utilizando as lipases atua especificamente sobre as moléculas dos triacilgliceróis, abundantes no óleo vegetal, e, a partir deles, se produz basicamente biodiesel e glicerina pura, que tanto pode ir para uma empresa de sabão, quanto para uma indústria que comercializa a própria glicerina. O aproveitamento é de quase 100% do óleo.

A produção de biodiesel utilizando biocatalizadores, porém, não é muito utilizada, pela dificuldade de produzir biocatalizadores reaproveitáveis, e é aí que entra a pesquisa da UFSJ.

Os pesquisadores da Universidade buscam um biocatalisador - a partir de fungos amazônicos raros, fornecidos pela FIOCRUZ - que possa ser utilizado diversas vezes no processo, tornando o mesmo mais rentável, rápido e com menor gasto de energia.
Os pesquisadores procuram também outras enzimas, como peroxidades e celulases, que podem ter aplicações biotecnológicas. “É uma busca que visa encontrar uma nova lípase que pode dar origem a um novo catalisador ainda não descrito e que pode ser mais eficiente do que os que estão sendo utilizados atualmente”, complementa o professor Saulo. Busca-se também aproveitar todos os produtos no final do processo.

O projeto da UFSJ é financiado pela Fapemig, que investiu R$ 350 mil na iniciativa, e conta com 14 bolsistas de iniciação científica dos cursos de Farmácia e Bioquímica.

Protegendo a natureza
A cidade de Divinópolis, onde está o campus Dona Lindu, não tem um sistema de coleta e tratamento de esgoto eficiente que abranja todo o município. Com isso, os óleos são jogados diretamente no esgoto e consequentemente vão para a rede fluvial do município. O nível de poluição é de um litro de óleo contaminando um milhão de litros de água.

Os pesquisadores, coordenados pelo professor Saulo, fizeram uma proposta à prefeitura daquela cidade para que esta coletasse óleo usado nas residências e restaurantes da cidade e entregassem na Universidade. Este projeto, que se desenvolveria independente ao financiado pela Fapemig, primeiramente iria utilizar a forma convencional de produção de biodiesel, que seria utilizado para movimentar a frota da prefeitura e do transporte urbano da cidade, barateando o preço da passagem para os cidadãos e poluindo menos o meio-ambiente.

Desdobramentos
Encontrando-se um catalisador mais eficiente, as ações podem se expandir. Para tanto, o projeto prevê que seja instalada uma mini-usina de produção, utilizando o processo mais moderno.

Pelo projeto, todo biodiesel a ser produzido seria fornecido à prefeitura para que fosse acrescentado nos veículos que utilizam diesel, transformado o combustível utilizado em D30, que é 30% de biodiesel e 70 % de diesel de petróleo. “Dependendo do resultado obtido, num segundo momento, podem ser colocados postos de coleta por toda a cidade inclusive em escolas integrando a população e incentivando a reciclagem e a preservação de nosso ambiente”, afirma o professor Saulo.

O custo estimado de implantação do projeto é de aproximadamente 300 mil reais e a previsão é de uma produção de cerca de 80 mil litros de Biodiesel por mês. “Com essa diminuição de combustível fóssil comprado pela prefeitura, em seis ou sete meses se pagaria o investimento e o tempo de resgate poderia ser menos caso se aumentasse para 160 mil litros produzidos”, calcula.

Por: Assessoria de Comunicação da UFSJ

 

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