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O que é ser Professor

 

Paixão pelo trabalho e incentivo à formação continuada motivam o exercício da docência

O ensino na graduação brasileira vem melhorando nos últimos anos, mas ainda deixa a desejar se comparado com outras nações desenvolvidas ou em desenvolvimento. Nos níveis inferiores, a situação é ainda menos satisfatória, quadro que poderia desmotivar muitos profissionais do ensino.

Na semana em que professores comemoram o seu dia, 15 de outubro, um olhar especial está voltado a esses profissionais marcados por grandes conquistas, mas também por grandes desafios no exercício de sua atividade.

"Há uma evolução no ensino, mas não a evolução que a gente gostaria e que também é necessária", avalia Álvaro de Azevedo Quelhas, professor da Faculdade de Educação (Faced/UFJ) há mais de 12 anos.

Para ele, os maiores desafios dizem respeito às condições para o desenvolvimento da educação. "É preciso maior investimento público, considerando o percentual do PIB. O Brasil aplica 4% de seu PIB em Educação, enquanto países desenvolvidos e em desenvolvimento aplicam de 6,5% a 7%. Nós não temos um sistema de ensino constituído, ou seja, a situação é precária, falta professor, continuidade no ensino, políticas de apoio", descreve.

Dentre as principais propostas possíveis para a reversão desse quadro, Álvaro aponta a melhoria do salário, principalmente, no ensino básico (fundamental e médio), e do plano de carreira através da valorização da formação continuada. "Não há estímulo para que ele se aperfeiçoe. As jornadas picotadas atrapalham o desenvolvimento e rendimento do professor, que se dedica a mais de uma escola para complementar sua renda. Vive se deslocando e não tem tempo de se dedicar à sua carreira", exemplifica.

A situação do ensino também deve ser avaliada através do interesse e da participação dos alunos. No Brasil, apesar do aumento do número de pessoas com mais de oito anos de estudo, metade não concluiu o ensino fundamental, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgada no último dia 9 de outubro [Veja a publicação]. A redução da proporção daqueles que tinham o ensino fundamental incompleto poderia resultar em maior taxa de conclusão dos níveis subsequentes, mas apenas 21,5% dos entrevistados tinham o ensino médio completo e 9,5% o ensino superior concluído.

Álvaro explica que essa realidade se deve à falta de uma política maior de apoio estudantil. "Em Juiz de Fora, por exemplo, não há passe livre ou meia passagem. No Brasil, metade das famílias vivem com até um salário mínimo. Essa ajuda [material] faz falta, o que contribui para o prejuízo do desempenho. A segurança deve ser valorizada, assim como políticas de apoio ao desenvolvimento cultural, à prática de esportes - áreas que não são núcleos centrais do ensino, mas são importantes para o desenvolvimento do aluno".

Eficiência através da aprendizagem permanente

Andréa Vassalo, atual diretora de ensino do Colégio de Aplicação João XXIII, trabalha com alfabetização e letramento na área de linguagem e sempre procura a renovação como base para o ensino eficiente. "O professor precisa se atualizar, não só na informática, mas a atualização do conhecimento: para ter uma visão crítica, definir o que há de melhor a ser repassado a seus alunos", diz Andréa, que acredita na aliança entre prática e teoria como a chave do bom profissional. "Sem dúvida, não dá mais para ficar distante da pesquisa, da capacitação – pós, mestrado, doutorado. O professor deve repensar sua prática à luz da teoria: um distanciamento como professor e uma aproximação com a prática. O mundo atual exige que sejamos coerentes naquilo que exercemos".

Telmo Ronzani, professor do Departamento de Psicologia da UFJF desde 2004, concorda com o constante aprimoramento da docência. "Para termos uma formação de qualidade precisamos oferecer, aos alunos, atividades em sala de aula em graduação, mas também projetos de pesquisa, pós-graduação, publicações", enumera ele, que acredita no sucesso como fruto de empenho conjunto da instituição e do profissional de ensino. "Nem sempre conseguimos uma infraestrutura e uma uniformização de tais ações, o que nos leva a uma grande sobrecarga de trabalho. Como superá-los? Políticas claras de graduação e pós-graduação para uma melhor organização do nosso trabalho".

E as novas tecnologias são mencionadas pelo professor, como primordiais em sua atividade. "[A tecnologia] muda de forma radical a relação ensino-aprendizagem, permitindo inclusive uma interação maior entre professor e aluno, onde ambos se tornam atores ativos na produção de conhecimento, não sendo mais a docência uma relação vertical e mera transmissão de conhecimento", explica.

Ensinar vale a pena

"Você seria capaz de passar ano após ano, mediocridade atrás de mediocridade, sem desespero nem amargor?" Inspirado nesse questionamento de Weber sobre a ciência como educação, Marcos Vinícius Chein Feres, atual Diretor da Faculdade de Direito, acredita que encontraria o "sim" como resposta.

Há dez anos, escolheu ser professor em sua área (Direito), acreditando que "o melhor lugar para mudar o mundo seria na sala de aula, em que os alunos aprenderiam conceitos e estariam aptos a aplicá-los".

Apesar do longo tempo de docência – 13 anos só de UFJF –, admite que são muitos os desafios. "Lutar contra a apatia que, às vezes, domina os estudantes, contra o mundo cheio de desigualdades, e acreditar que o aluno poderá construir algo, que mude o sistema judiciário, penitenciário", acredita Marcos Vinícius que sente dificuldade em julgar os efeitos de seu trabalho. "É muito difícil e muito cruel não saber se aquilo que você diz é bem ouvido, se o que defende é, de fato, incorporado, se o sonho de mudar o mundo, realmente, será compartilhado. Se um aluno me ouvir, acreditar e tentar influenciar, à sua maneira, outras pessoas, mudar a vida de outras pessoas, realizei bem minha tarefa".

Por: Assessoria de Imprensa da UFJF

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