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Vestibular em

Não passei, e agora?

Ao começar mais um ano, uma nova etapa, este Artigo (do site A Tarde On Line), é para os que não conseguiram a tão sonhada vaga numa instituição de ensino superior.


Candidatos reprovados devem repensar escolhas e planejamento

 

A prova do vestibular é encarada por jovens e adolescentes de todo o mundo como um dos momentos mais importantes da vida. Trata-se de comprovar que se tem a maturidade e conhecimento suficientes para deixar o mundo escolar e acessar a universidade, entendida como a primeira etapa da vida adulta. É por isso que, quando não se consegue o acesso à vaga pretendida, na maioria dos casos, surge a frustração.

De acordo com a psicopedagoga Márcia Portinho, esse sentimento é normal, mas é necessário se ter cuidado para que ele não evolua para a depressão. Segundo ela, para superar o mau momento, o importante é pensar que "o vestibular perdido não encerra o sonho" e encarar o exame como "um degrau para se alcançar a aprovação". "O vestibulando tem que tirar proveito desse momento, lembrar que a cada concurso que ele faz ele ganha experiência, e prestar atenção naquilo em que está falhando", explica.

Escolha

Márcia conta também que o momento pode ser propício para se repensar a escolha do curso. "Estar bem com a própria escolha é fundamental", explica. "Muitas vezes o candidato perde o vestibular porque não é aquela a profissão que ele quer de verdade, então inconscientemente ele se bloqueia para aquilo, e não consegue aprovar", argumenta. Nesse ponto, segundo ela, é fundamental que haja harmonia familiar para que a escolha seja acertada.

"É muito comum que, para não decepcionar os pais, o jovem acabe escolhendo uma profissão que não tem a ver com ele. É necessário então que a família se conscientize também, porque muitas vezes o fracasso é causado por isso, porque aquele rapaz ou aquela moça não tem aptidão para aquilo, não é a área dele", explica.

Nesse grupo se encaixa a estudante Bruna Santana (nome mudado, a pedido da entrevistada), de 18 anos. Filha de médicos, a jovem tem interesse em estudar ciências sociais, mas este ano acabou prestando vestibular para administração "para não decepcionar a família". "E eu ainda disse a eles que estava fazendo vestibular para medicina mesmo. Para eles, eu teria que fazer medicina, mas eu não tenho o menor gosto pela área. Me inscrevi em ADM, e caso passasse tentaria me entender em casa. Mas nem isso. E ciso, que é o que eu gosto mesmo, nem pensar...", explica a estudante, que não passou no vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Planejamento 

De acordo com a psicopedagoga, o fato de não ter passado no vestibular deve ser visto também como um sinal de que alguma coisa no planejamento do ano pode ter falhado. "É importante o aluno se perguntar aonde errou. Porque pode ser que ele simplesmente tenha escolhido o curso errado, mas pode ser também que ao longo do ano algo tenha falhado e isso tenha pesado na prova", explica.

Segundo ela, planejar as horas de estudo diárias e enfatizar algumas disciplinas são passos fundamentais para se sair bem nas provas. Sendo assim, Márcia recomenda disciplina na hora de estudar e também "prestar maior atenção àqueles assuntos com os quais o aluno tem maior dificuldade dentro de sua área". "É importante o estudante identificar quais assuntos são esses, pois eles podem fazer muita diferença na hora da prova", explica. Márcia recomenda também que não sejam ultrapassadas as quatro horas de estudo seguidas, "pois, a partir daí, na maioria dos casos, a fadiga faz com que o trabalho seja improdutivo".

Para superar as dificuldades com "aquela" disciplina, a especialista dá também uma dica. "Antes de dormir, eu recomendo que a pessoa leia, com calma, aquele problema que ela não consegue entender, mas sem querer resolver a questão naquele momento. Isso porque, durante o sono, nosso cérebro trabalha de forma mais relaxada, e pode ser mais fácil então encontrar o caminho para entender o problema", conta.

Para quem não passou este ano, diz Portinho, o fundamental agora é "se valorizar". "O aluno tem que lembrar que ele é muito mais importante que uma prova. Seu interesse não pode estar à frente de sua pessoa, dele mesmo. O jovem não é uma máquina de fazer vestibular, o vestibular é apenas uma parte da vida dessa pessoa. Ele não passou agora, mas tem que lembrar que pode tirar lições, para, possivelmente, comemorar na próxima".

*A pedido da jovem, seu nome foi trocado.

 

Por: Guilherme Lopes (A Tarde On Line)

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