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Manifesto de Professores da UFMG, pela Fundep

Um grupo de 171 pesquisadores da UFMG divulgou, ontem (20/01), Manifesto de Apoio à Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), encaminhado ao Gabinete do Reitor daquela Universidade:

O lugar das fundações na Universidade


A recente controvérsia sobre o papel das fundações e sua relação com as universidades deu origem a um debate que,  adequadamente conduzido, muito há de contribuir para o esclarecimento de questões importantes no âmbito dessa matéria.

O Tribunal de Contas da União, no exercício das funções que lhe são próprias e absolutamente essenciais à organização democrática da sociedade, aponta a necessidade de um exame pormenorizado das atividades desenvolvidas pelas fundações de apoio. Dado o amplo espectro das ações conduzidas por essas fundações e a eventual possibilidade de distorções, exames dessa natureza, além de recomendáveis, devem ser – como vem ocorrendo há algum tempo – periodicamente realizados.

A especificidade das Instituições Universitárias, no entanto, deve ser resguardada com o mesmo cuidado. A atenção ao desenvolvimento científico e tecnológico, mais do que uma atividade restrita ao âmbito interno da universidade, é hoje um requisito do desenvolvimento nacional e da soberania das nações num cenário de crescente globalização. Os novos contornos da pesquisa em ciência e tecnologia demandam condições cada vez mais complexas que complementam os instrumentos habituais de que dispõe a universidade.

O crescimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição líder no conjunto das Universidades Federais brasileiras e em uma contínua inserção internacional, muito deve à Fundação para o Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP).
Criada em 1974, essa fundação, ao longo dos anos, tem sido uma parceira de valor inestimável para a universidade, sem a qual os patamares de qualidade que hoje caracterizam a UFMG dificilmente teriam sido atingidos. A complexa rede da pesquisa científica e tecnológica, de responsabilidade, no Brasil, quase que exclusivamente das Instituições de Ensino Superior de natureza pública, depende especialmente do trabalho das fundações de apoio.

Diante de um cenário em que são bastante reais os perigos de retrocesso, a crítica apressada a tais fundações e as ações baseadas no desconhecimento do papel por elas exercido nas Universidades criarão obstáculos e problemas, cujas consequências, essencialmente desastrosas para a pesquisa em ciência e tecnologia, serão rapidamente sentidas.

Impõe-se reiterar, portanto, que o debate conduzido com a apropriada seriedade vai, com certeza, contribuir para o equacionamento de muitas questões, inclusive as associadas ao tema da autonomia universitária, permitindo a correção de eventuais distorções. Dessa forma, novos instrumentos poderão ser criados para que as fundações possam desempenhar, de forma cada vez mais aprimorada, suas devidas funções, tão essenciais às Universidades.

Se o confronto transparente de posições for substituído por acusações infundadas e destituídas de qualquer plausibilidade, corre-se o risco de ver comprometido, irremediavelmente, o notável esforço de sucessivas e respeitáveis gerações de estudiosos brasileiros que tanto se empenharam para criar um parque universitário público de qualidade ímpar na América Latina.

(Veja o Manifesto com as assinaturas dos pesquisadores)

 

Veja mais sobre a polêmica (direto do site da UFMG):

- Grupo de Trabalho estudará medidas para cumprir determinações do TCU às fundações de apoio e Ifes (21/01/09)

Mais pesquisadores apoiam manifesto a favor da Fundep (21/01/09)

- Ação da UFMG no STF tem objetivo de resguardar autonomia (20/01/09)

 

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