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Literatura e Educação, por Antonio Loures

 

Quanto maior o contato do estudante com a arte, em especial a literatura, mais se ampliam as possibilidades de convívio com o universo do imaginário, com a atmosfera tocada pela beleza, pelo mistério, pela magia, pela força da emoção.

Os diferentes modos de expressar os sentimentos, as idéias, as tramas, as confidências, as desilusões, os segredos presentes no mundo da literatura, constituem um permanente convite a visualizar a vida em suas múltiplas realidades. Pela interação entre as diversas percepções e abordagens, realçando aspectos aparentemente de menor importância, a literatura induz a mudanças no modo de pensar, o que contribui para o processo de desenvolvimento intelectual do estudante.

Ao ampliar os horizontes para paisagens ainda desconhecidas, como as utopias, o insólito, o inusitado, a literatura também desenvolve, desperta, excita a sensibilidade, elevando a consciência sobre a própria fragilidade humana e, ao mesmo tempo, mostra ao homem sua capacidade para as grandes realizações.

A literatura traz à tona perspectivas múltiplas, muitas vezes provocadas por obras polêmicas que influenciam opiniões, dão ensejo a novas perguntas, trazem luzes que podem alterar o curso da história. Apenas para citar alguns exemplos em relação à história do Brasil, basta lembrar a participação dos poetas na Inconfidência Mineira, no Movimento Abolicionista e na Semana da Arte Moderna.

Assim, a literatura é indispensável ao desenvolvimento do conhecimento. Admitir o dinamismo do conhecimento é entender sua relação com a sociedade e, conforme Berger e Luckman, a relação entre o conhecimento e sua base social é dialética; isto é, o conhecimento é um produto social e, ao mesmo tempo, o conhecimento é um fator de transformação social. O conhecimento para a vida pressupõe a disponibilidade para trabalhar com a incerteza, para aceitar o desafio da dúvida, para refletir sobre as ambigüidades presentes nas diversas situações da convivência diária.

A educação para a vida, para a democracia social, consiste na transformação de crianças e jovens em homens e mulheres conscientes, que não se intimidem perante os desafios, que façam do seu trabalho a possibilidade de crescimento pessoal e coletivo, sem abdicar da ousadia, sem medo de sonhar e participar do projeto de construção permanente de uma sociedade mais justa. A construção de uma nova ordem requer o exercício de uma cidadania solidária, que manifeste efetivamente o compromisso pela defesa de uma sociedade em que todos os brasileiros, sem distinção, possam viver com dignidade; que rejeite a lógica meramente mercantil do individualismo e do consumismo exacerbados, que incorpore a firme resistência à destruição dos recursos naturais.

Educar para a vida é despertar a consciência para a condição humana. E é na literatura que a condição humana se apresenta em toda a sua riqueza, miséria, fantasia, ansiedade, esperança e incerteza. Conforme o filósofo e educador Edgar Morin: “É na literatura que o ensino sobre a condição humana pode adquirir forma vívida e ativa, para esclarecer cada um sobre sua própria vida... Livros constituem ‘experiência de verdade’, quando desvendam e configuram uma verdade ignorada, escondida, profunda, informe, que trazemos em nós, o que proporciona o duplo encantamento da descoberta de nossa verdade na descoberta de uma verdade exterior”.

A Universidade, ao incentivar a produção literária, amplia sua missão de educar, educando para a vida e, simultaneamente, participando do desenvolvimento cultural da sociedade brasileira.


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Por: Prof. Antonio Tomé Loures (Reitor da Universidade FUMEC)

 

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