dcsimg

Vestibular em

Inteligências Múltiplas 2

 

A primeira escala de QI foi a revisão da Universidade de Stanford da escala original de Binet, revisão esta denominada de escala Stanford-Binet.

Posteriormente, surgiram vários outros testes do mesmo gênero, cada um com suas variações específicas, inclusive com variações nos valores da média e do desvio padrão, mas todos dentro do mesmo paradigma básico de comparação estatística entre o indivíduo e a população da mesma idade. Houve também a ampliação do espectro de aplicação do teste para incluir também a avaliação de indivíduos adultos.

Durante várias décadas do século XX, o QI foi considerado como sendo a perfeita medida da inteligência humana, abrangendo a totalidade do potencial intelectual de um indivíduo. De fato, inúmeros estudos apontaram, na época, para uma clara relação entre o nível de QI e o sucesso acadêmico e profissional. Como consequência, disseminou-se rapidamente o seu emprego nas escolas, universidades, instituições governamentais e empresas privadas, particularmente nos EUA, sendo o teste usado tanto para acompanhamento quanto para seleção.

Entretanto, a partir do final dos anos 70, diversos pesquisadores começaram a apontar várias falhas ou lacunas dos testes de QI em termos da sua capacidade de abranger a totalidade das faculdades intelectuais de um ser humano nos diversos contextos e situações, bem como as limitações do seu potencial em termos de prever o futuro sucesso pessoal e profissional.

Como consequência, o significado dos chamados testes de inteligência foi reavaliado, com os mesmos sendo considerados atualmente uma medida de um conjunto específico de habilidades mentais (o raciocínio linguístico e lógico-matemático) num determinado contexto (o conhecimento acadêmico e formal), e não mais como um reflexo de uma capacidade mental global.


Alcances e Limitações do QI

O teste de QI constitui uma das medidas psicológicas mais estáveis e confiáveis de que se tem notícia, havendo uma farta literatura sobre sua prevalência nos diversos segmentos da população e sobre a sua relação com diversos fatores de interesse.

Apesar de não representar aquela medida da capacidade intelectual geral que se acreditava até os meados do século XX, trata-se de um instrumento de valor imprescindível quando se trata de algumas habilidades mentais envolvidas no desempenho escolar e/ou na manipulação do conhecimento formal.

O importante para se saber como fazer um bom uso da informação fornecida por um QI é ter uma noção clara do que pode ou não ser inferido a partir dele:

Fatores que podem ou não ser medidos pelos Testes de QI

O QI mede bem:
- Habilidade linguística;
- Raciocínio lógico-matemático;
- Pensamento analítico;
- Capacidade de abstração;
- Erudição.

O QI não mede bem:
- Senso-comum e conhecimento informal;
- Intuição e bom-senso;
- Criatividade e originalidade;
- Liderança e sociabilidade;
- Aptidão artística;
- Capacidade musical;
- Habilidade corporal e atlética;
- Moral e ética;
- Motivação;
- Controle emocional.

Essencialmente, o QI mede tudo aquilo que lida com uma lógica formal aplicada ao conhecimento num contexto escolar típico de sociedades ocidentais metropolitanas. Isso inclui os requisitos intelectuais para atividades como a pesquisa científica, o trabalho acadêmico, lidar com a alta tecnologia, realizar cálculos e estimativas, escrever ensaios e artigos, realizar palestras, fazer avaliações e auditorias, etc..

Naturalmente, não estão incluídos os fatores motivacionais, emocionais e ambientais necessários para o sucesso em qualquer atividade, tampouco os requisitos intelectuais associados a empreendimentos em contextos culturais diferentes do mencionado acima.

Interpretação do QI

O valor de um determinado nível de QI costuma ser interpretado se ele se encontra acima, ao redor, ou abaixo da média, além da prevalência na população em geral de pessoas que apresentam tal nível de QI. Com base nisso, a tabela a seguir mostra uma classificação geral prática.

Classificação proposta por Lewis Terman:

QI acima de 140: Genialidade
120 - 140: Inteligência muito acima da média
110 - 120: Inteligência acima da média
90 - 110: Inteligência normal (ou média)
80 - 90: Embotamento
70 - 80: Limítrofe
50 - 70: Cretino

No final do século XX, dentre as novas concepções de inteligência, o modelo da teoria das inteligências múltiplas, isto é, a noção de que a inteligência não é mais compreendida como um atributo geral, mas como aptidões específicas que se manifestam em habilidades no desempenho de tarefas, tem se fortalecido como paradigma explicativo da inteligência. A noção de múltiplas aptidões tem se mostrado como uma explicação fortemente disseminada entre os educadores, originando estudos e orientando práticas, tanto no Brasil como em outros países do mundo. (Veja artigo "Educação Emocional")


Adaptado de "Projeto Saber"

Deixe seu comentário:

Versão para impressão     Enviar para um amigo