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Vestibular em

Desafiem os calouros!

 

Professor tem mania de subestimar a capacidade de seus alunos. Cansei de ouvir colegas professores se queixando de alunos do primeiro semestre. “São adolescentes”, “odeio dar aula para os calouros”, entre outros comentários do tipo.

Penso justamente o contrário. Os alunos do primeiro semestre, por mais que estejam saindo da puberdade, entram na faculdade cheios de gás e entusiasmo. A última coisa que eles precisam é de um professor que não acredita em seu potencial e que não goste de dar aulas no ritmo adequado para essa turma. O primeiro semestre é essencial, pois é o encontro do aluno com a nova realidade.

Muitas vezes, os alunos do primeiro semestre têm muito mais a oferecer do que os alunos dos semestres seguintes. Eles ainda não caíram naquela de empurrar com a barriga e fazer de qualquer jeito. O aluno do primeiro semestre que consegue manter o pique durante o resto do curso será, sem dúvidas, um excelente profissional.

Professores de “Introdução à Administração” costumam abordar, de forma introdutória, tudo o que o cara vai ver no semestre seguinte em TGA (Teoria Geral da Administração). Fala sobre Fayol, Taylor, passa o filminho do Chaplin (Tempos Modernos), divide a Administração em “escolas”, dando aquela idéia de que a história acontece em trajetória linear e progressiva. Se o sujeito vai ver tudo de novo em TGA, por que não aproveitar a oportunidade para apresentar ao aluno o que é, de fato, a Administração?

Em Introdução, costumo passar um exercício que outros professores só adotam em semestres mais adiantados: montar uma empresa. A turma se divide em grupos, cada grupo idealiza uma empresa. Ao longo do semestre, os alunos colocam em prática e adquirem conhecimentos sobre tudo o que um administrador precisa dominar: marketing, finanças, estratégia, gestão de pessoas, TI, etc. Aprendem a ver o todo e as partes que o compõem.

Além de estimular a criatividade e a atitude empreendedora, a atividade também permite que os alunos exercitem suas habilidades de comunicação, liderança, negociação, busca de informações e de pensar de forma inovadora.

Os trabalhos realizados deixam qualquer um de queixo caído. Surpreendem pela qualidade, profundidade das informações e por ir muito além de qualquer expectativa. Tudo isso feito por garotos de 17, 18 anos.

No fim das contas, todos têm a satisfação de terem participado de um projeto que eles mesmos criaram. O conhecimento adquirido foi construído não apenas de forma individual, mas, sobretudo, de forma coletiva, participativa. Sentem que fizeram aquilo por eles mesmos, e não por se tratar de uma mera exigência acadêmica.

Tenha sempre em mente: desafiar é a melhor forma de estimular alguém a dar o seu melhor.

Por Leandro Vieira (Portal Administradores- publicação autorizada)

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