dcsimg

Vestibular em

Crianças da geração Z

 

Há anos dedico-me a estudar o infindável campo da educação e, durante esse tempo, observo que outubro é o mês no qual os artigos relacionados às crianças multiplicam-se na mídia, consequentemente, ao processo educacional pelo qual passam.

 

 Enxergo o lado positivo desse oportunismo: o mês das crianças surge como uma chance para refletir, discutir e ter novas idéias sobre a educação de nossas crianças.

Penso em outros tópicos aos quais poderia dedicar essas linhas, o direito ao lazer e à cultura, a existência da pobreza e da violência, mas vou me resumir àquilo que compreendo e que, para mim, é uma das principais soluções para as dificuldades pelas quais nossas crianças passam: a educação.

Para iniciar essa discussão, usarei uma idéia que muitos estudiosos do comportamento humano vêm divulgando nos últimos anos: a Geração Z. Os pertencentes a essa geração, nascidos a partir da metade da década de 90, representam uma promessa de revolução para o futuro. São aqueles que já nasceram sob o domínio da tecnologia e possuem uma aptidão natural para trabalhar com objetos eletrônicos, aprendem rápido como usar DVDs, celulares e computadores. Quais os fatores que influenciam esses jovens da Geração Z?

Entre outras características, podemos destacar o mundo globalizado, interconectado e tecnológico em que vivemos, que gera características únicas nas crianças, sendo a principal delas, e que nos interessa para este artigo, a sua integração total à tecnologia.

Vivemos na era do digital. Do reflexo das telas na face de nossos filhos, diariamente imersos no mar infinito da web. Da conexão constante: em casa pelo modem, nas ruas por meio dos celulares e em cafés com redes sem fio (wireless). Nos últimos anos, esse domínio da internet chegou a um dos locais mais protegidos pela sociedade: a escola.

De forma tímida, há cerca de uma década, víamos as primeiras aulas de informática: crianças aprendiam a movimentar o mouse, o que era uma CPU e a como salvar uma redação. Hoje, os jovens entram na escola sabendo a diferença entre uma conexão discada e de banda larga, questionando a falta de um mouse óptico e pedindo que a aula de internet seja livre, para acessarem os sites que têm vontade.

Com a internet completamente integrada ao dia-a-dia das crianças, por que não começar a usá-la de forma ativa, integrando-a, também, a rotina escolar? O computador oferece possibilidades infinitas (sim, infinitas como a própria web é) de expansão dos métodos didáticos utilizados em aula. Destaco aqui três idéias interessantes: o uso de comunicadores instantâneos, como o MSN, para a realização de plantões on-line, alguns dias antes da prova ou da entrega de algum trabalho, ou, então, o desenvolvimento de redes sociais e colaborativas para o compartilhamento de informações, como trabalhos e resumos, que seria um misto de Wikipedia e Orkut, no qual os alunos poderiam socializar e navegar pelo conhecimento.

Outra idéia seria o uso da conexão na própria sala de aula, para a realização de pesquisas em conjunto com o resto da sala e o professor, um bom momento para o educador tentar substituir o famoso e famigerado copia-e-cola por um método apropriado de pesquisa, de real formação do conhecimento a partir das fontes.

O comunicador instantâneo e a rede social possibilitam um aprendizado contínuo, pois devem ser acessados após o termino da aula, além de divertido, pois aparecem para a criança como um entretenimento e não uma atividade maçante. Já a conexão em sala faz da aula uma atividade ágil, que desperta e responde a várias curiosidades do aluno, na velocidade da internet.

Existem muitas outras opções possíveis de interação entre o professor, o aluno e a web. O limite é determinado apenas pela capacidade imaginativa e o conhecimento de informática do educador, que pode negar-se a aproveitar as possibilidades oferecidas pela ferramenta digital ou atualizar-se e encarar de frente o computador, um trunfo didático quando bem aproveitado.


Por: Eduardo Shinyashiki (consultor, palestrante e diretor da Sociedade Cre Ser Treinamentos. Autor do livro Viva Como Você quer Viver, da Editora Gente) Fonte: administradores.com.br .

Deixe seu comentário:

Versão para impressão     Enviar para um amigo