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Vestibular em

Afinal, o que é fracasso?

Transpondo para uma experiência de vestibular:

 

O maior inimigo do homem pode ser visto olhando-se no espelho.

Se um homem entra em uma briga física com outro homem e é derrotado, esse fato o persegue por muito tempo, e surgem sentimentos como vergonha, ira e sede de vingança. Um animal, quando disputa o território com outro de sua espécie, e perde, não age da mesma maneira.

Muitos podem dizer que os animais são seres irracionais e que, portanto, não teriam como "remoer" a derrota, porém, não lhe parece irracional se amargurar por algo que já está no passado? Não seria mais racional retomar a vida e seguir em frente apesar da derrota (fato comum na vida de todo ser humano)?

Um dos maiores esportistas brasileiros nos dá uma grande lição de superação. Após um acidente, Lars Grael teve uma de suas pernas amputadas, no entanto, esse terrível fato não o impediu de mostrar sua força de superação. Em uma entrevista perguntaram ao atleta: "Após o acidente, como você aprendeu a conviver com a deficiência física?"

"Inicialmente é sempre um trauma, mas o exemplo de outros atletas e de pessoas que passaram por problemas iguais ou piores" – respondeu Lars - "me fez ver que a minha vida não tinha acabado. Era possível viver e ser feliz convivendo com a minha deficiência."

Atualmente, o campeão dedica-se ao esporte e à política em prol de pessoas com deficiência e idosos.

Thomas Edison fez funcionar a lâmpada em 1882, mas antes disso teve em torno de mil experiências até conseguir que uma delas funcionasse. Um repórter, ao entrevistá-lo na época, perguntou como ele se sentia diante de tantas tentativas fracassadas. Edison respondeu: "Não fracassei nenhuma vez. Inventei a lâmpada! Acontece que foi um processo de 1.000 passos".

É preciso determinação e perseverança nos momentos mais difíceis. Essa combinação talvez seja uma das essências dos resultados positivos.

As pessoas que vencem, aprendem a ser maiores que seus problemas e dificuldades e não se intimidam diante de derrotas temporárias. Tanto perder quanto ganhar faz parte do jogo da vida.

Temos tantos exemplos de profissionais que deixaram de lado a lamentação por um tropeço, e abandonaram a idéia de fazer drama ou se sentirem desprestigiados após perderem um cliente, um negócio ou um emprego. Não estou fazendo apologia à derrota como grande professora, mas estou querendo mostrar que as perdas devem ser vistas como um processo de aprendizagem. Dura e cruel, difícil de engolir, mas necessária nos momentos de crescimento e evolução de cada um de nós.

Imagine a cabeça de um jogador profissional ao perder dois pênaltis em uma mesma partida. Isso aconteceu de fato e o profissional ficou apagado o restante da partida e no final saiu de cabeça baixa.

O maior cestinha do mundo novamente nos dá uma valiosa lição de perseverança e presença de espírito. Muitos jogadores deixam de arriscar quando a bola não entra nos primeiros arremessos. Oscar, ao contrário, continua arremessando, mesmo quando erra. E a explicação dele é simples, mas genial: "continuo porque sei que, a partir de um momento, a bola vai começar a entrar". E como sabemos, a bola entra mesmo.

Não existe vergonha em ter problemas ou sofrer derrotas. Isso acontece comigo, com você e com todos que não usam capa de super-herói e saem voando pela cidade afora. Terrível é se permitir levar uma vida medíocre com resultados ínfimos por medo de arriscar-se.

Tirar das derrotas lições de vida a serem aplicadas ao nosso cotidiano deixou de ser algo distintivo e passou a ser uma obrigação de cada um de nós.

Mas não acredite que derrotas e fracassos sejam a mesma coisa. Derrotas são momentâneas. Fracassos se tornam permanentes pelo fato de adquirirmos medo do que vem pela frente.

É fácil seguir em frente quando a "maré" está boa, o difícil é prosseguir quando a situação é crítica. São nesses momentos que os super-heróis sem capa mostram sua força. 

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Por: Fábio Violin (professor universitário, palestrante e consultor de empresas)

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