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Vestibular em

A escolha profissional e a satisfação pessoal

Muitas famílias dos grandes centros urbanos tratam seus filhos com cuidado especial. Nessas casas, onde não existe miséria, as escolhas familiares são norteadas pelo o que for melhor para as crianças. A melhor alimentação, médico, escolas, cursos, roupas e até férias. Um dos motivos para tanto esforço? Formar alguém melhor e mais feliz, na fé de fazer o mundo melhor e mais feliz também.

A primeira decisão profissional carrega essa mesma mentalidade: a busca pela felicidade. “O que você gosta de fazer?”. Não é essa a a primeira formulação diante do dilema vocacional? Posteriormente, variam entre primeiro e segundo plano critérios como segurança financeira ou status. Na esperança de encontrar uma opção equilibrada, surge a idealização de uma carreira que combine satisfação pessoal-dinheiro-prestígio. Uma atividade profissional agradável, mas séria o suficiente para garantir sustento e notoriedade como adulto de sucesso e potencialmente feliz.

Será que acreditamos mesmo que uma profissão pode nos levar à felicidade? Se a resposta for positiva, que impacto essa idéia tem na maneira de nos relacionarmos com o trabalho? Explicaria, mesmo que em parte, porque a universidade e os ambientes profissionais são locais povoados por pessoas que procuram empregos que, primordialmente, as gratifiquem? Afinal, testemunhamos diariamente pessoas insatisfeitas com seus cursos, professores, empresas, projetos, pares, chefes ou até clientes. Reclamações constantes projetadas às mais diversas instituições que, por alguma razão acredita-se, deve uma parcela de bem-estar a cada um.

Recém-formados desanimados, decepcionados e queixosos de que seus trabalhos frustram a perspectiva que tinham de serem recompensados pelo esforço investido em anos de estudo. Não seria uma inversão sobre quem está a serviço de quem? Afinal, trabalhamos para servir ou, deliberadamente, esperamos o contrário?

Denis Pelletier, autor do livro “Desenvolvimento Vocacional e Crescimento Pessoal”, consegue lançar uma luz diferente sobre essa questão que pode contribuir para desfazer esse viés. Afirma que existem problemas no meio em que vivemos e as profissões existem para resolvê-los. Pelletier acrescenta que escolher uma profissão é, de certa forma, escolher o problema que o sujeito concorda em se envolver e empenhar em solucionar. Dessa forma, a clássica pergunta: “O que você gosta de fazer?”, pode ser substituída por uma indagação mais ampla: “Em qual problema no mundo você aceita se engajar e contribuir para o entendimento e solução?”.

Com essa mentalidade, talvez médicos não ficassem aborrecidos com seus pacientes, professores decepcionados com seus alunos ou administradores irritados com a necessidade de gerenciar seus subordinados. Além de outros profissionais que entenderiam que, o que consideram intolerável talvez seja a essência de seu trabalho.

Pode parecer desalentador definir um sonho com base nas dificuldades da profissão. Porém, o que é problema para uns, é desafio para outros. Não seria nesse ponto que deveria fixar-se a escolha profissional? Pena que em nossa cultura, sonhar implica em projetar no futuro um cenário de bem-estar e conforto. Será que até nosso sonhar é refém da felicidade?

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