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A escolha da carreira

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que estamos sempre começando, a certeza de que é preciso continuar e a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos fazer da interrrupção um caminho novo, da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro." 
 

(Fernando Pessoa)
 


De uma maneira geral e quase instintiva, buscamos um estado de harmonia em várias dimensões: dentro de nós mesmos, na relação com outras pessoas, sejam familiares, amigos e colegas, no ambiente e, trazendo para uma realidade mais próxima, uma harmonia com a carreira escolhida. 

 

Esta harmonia é um dos fatores responsáveis por uma vida saudável, entendendo-se que: "saúde e cura são o mesmo movimento. A cura é uma frequência em movimentos contínuos. Nossa lição é aprender a sintonizar e sustentar esse alinhamento". Sendo assim, sustentar a saúde é sustentar a cura e, para isso, há necessidade de uma profunda atenção nas escolhas que são feitas.
 

Neste artigo, o foco são as escolhas profissionais, mais especificamente as relacionadas à carreira, sempre tão discutidas e responsabilizadas pela felicidade / infelicidade, sucesso / insucesso, cura / doença da maioria das pessoas.
 

Carreira é um caminho por onde decidimos seguir e envolve um olhar sistêmico em direção a vários aspectos da vida. O olhar fragmentado da ambição pode nos levar a escolhas desastrosas, assim como o olhar fragmentado do altruísmo ou do amor à família também.

 

Com isso, quero dizer que carreira pressupõe um olhar amplo em relação à vida, onde se reúnem todos os aspectos que consideramos importantes, como por exemplo família, amigos, espiritualidade, atividades de lazer e esportivas, competências, fraquezas, oportunidades de melhoria, sonhos, missão de vida, etc. 
 

A partir desse ponto de reunião, pode-se começar a delinear os grandes objetivos que temos nas várias áreas da vida: social, pessoal, familiar, espiritual. Isso, de maneira conectada, sem permitir que os objetivos prejudiquem nosso equilíbrio e, portanto, nossa saúde.
 

Exemplificando, se considero família muito importante, meus objetivos devem contemplar esse aspecto. Não posso traçar um objetivo profissional que prejudique minha vida familiar e assim por diante. Por outro lado, não posso traçar um objetivo familiar que prejudique a vida profissional. E assim devo fazer com cada área da vida.
 

Essa harmonia precisa ser buscada e construída. Daí o cuidado nas escolhas, sendo que a mais importante, e talvez a mais esquecida, é a que traz um real significado – aquela que chamamos de missão de vida – algo que justifica nossa existência.
 

Essa escolha talvez seja difícil, porque a maioria das pessoas dirige sua vida considerando apenas os apelos externos, ao invés de considerar a busca interna dos seus reais motivos/necessidades/interesses. 
 

Nesta sociedade em que vivemos, o barulho dos motores, dos televisores, dos computadores, dos outdoors, das baladas, dos funks, acaba nos desviando do silêncio interior, único lugar onde podemos encontrar respostas para nossas inquietudes.
 

O tumulto externo pode impedir que acessemos a calma interna e as escolhas acabam sendo a extensão desse tumulto, que por si só desalinha a mente e as emoções, fazendo com que a visão e o foco fiquem distorcidos.  Passo bastante precipitador das doenças típicas dos nossos tempos: stress, enfarte, depressão, distúrbios de atenção, etc. Essas são constatações que podemos fazer a qualquer momento, apenas observando e reconhecendo situações que se nos apresentam diariamente.

 

 

É possível que muitas pessoas, ao lerem esse artigo, sintam-se atores dessa estória.... Se você é uma delas, talvez seja bom pensar na possibilidade de transformar o que o incomoda.
 

Para sair desse pesadelo, gerador de desequilíbrios e doença, não há receita e nem mágica. Depende da sua escolha consciente, da identificação dos sonhos em todos os níveis da vida, analisando a conexão entre eles e agindo para que sejam manifestados passo a passo, construindo o significado da própria existência.
 

Esse movimento não pode ser desconectado do reconhecimento das forças pessoais e também das dificuldades / limitações que todos temos. E também não pode ser fragmentado de todo movimento do próprio universo que vem trazendo e levando situações, proporcionando-nos experiências de aprendizagem, refinando nossas escolhas.
 

Nesse movimento, é possível que tenhamos que refazer escolhas nos vários momentos da vida, o que não tem nada de errado. Muito pelo contrário, o reconhecimento de uma escolha que não "é", quanto mais rápido acontecer, menos tempo de desalinhamento e maiores possibilidades de alinhamento e sustentação da real missão de vida vai gerar.
 

Às vezes, fazemos escolhas que são as melhores possíveis, no momento. Mas percebemos que precisam ser refeitas no decorrer da nossa caminhada. Assim, não existe idade para recomeçar, nem para colocar a atenção nos próprios sonhos, muito menos para ser saudável e feliz.
 

Apesar de simples, esse caminho exige disciplina, autoconhecimento, desapego e humildade, o que não são características fáceis de serem manifestadas pela grande parte das pessoas que estão presas ao ego e aos fatores externos.
 

A rigidez pode levar a posturas contrárias à cura, como por exemplo, dificuldade de enxergar novas possibilidades, utilização frequente de mecanismos de defesa e modelos mentais que mantêm a ligação com o velho.
 

Para facilitar o caminho dessa autodescoberta, sugiro que seja feita uma reflexão profunda, ponderando as seguintes questões:
 

- Quem sou eu?
 

- O que desejo? 
 

- Quais os meus valores? 
 

- Quais as minhas forças? 
 

- Por que desejo o que desejo?
 

- qual o sentido da minha vida?
 

- Estou pronto(a) para mudar, se necessário?
 

- Como está o movimento dos negócios?


 

Essa última pergunta traz outra reflexão ligada ao ambiente em que vivemos – o ambiente dos negócios. De nada adianta escolhas que não contemplem o atual momento econômico-social. É preciso reconhecer o movimento do mundo dos negócios e combinar com ele as aspirações pessoais, para que possam encontrar um verdadeiro espaço de manifestação.
 

Ou seja, o olhar apenas para as próprias aspirações, sem contemplar o ambiente econômico, torna as escolhas ilusórias e ao mesmo tempo frustrantes. Reconhecer a complexidade de todos os aspectos, internos e externos, mas sem se deixar levar pelo ego ou pelos apelos eminentemente sociais e/ou de status é o grande desafio dos profissionais que querem fazer a diferença.
 

Feito esse caminho, cabe ainda um último desafio: o de valorizar a escolha feita e sustentá-la. Cabe, então, aceitar as coisas como são e não querer que sejam como queremos. As escolhas conscientes não nos conduzem a uma carreira fácil e prazerosa em tempo integral. O alcance dos sonhos sempre exige de cada um de nós persistência e determinação. E, então, ao fazer o caminho que escolhemos, sejamos gratos por cada passo dado, reconhecendo a gratidão como potencializadora do que temos e alcançamos.

Valorizar cada trabalho, cada atividade, e ver nela o significado é o grande diferencial dos profissionais que têm sucesso, independentemente da profissão, das mais simples às mais complexas. 

O varejo é um bom local para observarmos esse fato. Um vendedor, por exemplo, que atende o público, tem consciência de que trabalha para a satisfação humana e reconhece a importância em servir, tem um comportamento e um resultado completamente diferente de outro que deseja apenas bater suas metas e ganhar o salário no final do mês. É nítida a diferença de postura, de atenção ao cliente, de dedicação e comprometimento.
 

Da mesma forma, é notada a diferença de um gestor que percebe seu papel como condutor de pessoas e, consequentemente, é responsável pelo desenvolvimento delas, podendo interferir de forma positiva nas suas vidas, e outro, que apenas está nesse cargo, sem consciência do seu verdadeiro papel de líder transformador e servidor.
 

Assim, as empresas alinhadas a este momento, onde a manifestação do conhecimento e da consciência é o diferencial dos profissionais de sucesso, precisam estar firmes na busca desses homens e mulheres que conseguem se enxergar como protagonistas da própria vida, fazendo escolhas de carreira com plenitude de significado e gratidão. Serão, então, empresas saudáveis, formadas por profissionais também saudáveis, uma vez que são conscientes e responsáveis pelas escolhas que fazem.
 

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Por: Fátima Motta (Sócia-diretora da F&M Consultores; Professora de Fator Humano da ESPM; Coach de desenvolvimento humano) Contato: (11) 5523-1418 / 9979-1660.

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