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Trabalho combinando com prazer

"Caso se veja numa situação em que tenha de ganhar algum dinheiro, como você imaginaria que o conseguiria? Que tipo de coisa útil (bem ou serviço) você sente ou sabe que é capaz de oferecer?"

A citação acima é a primeira questão do questionário vocacional denominado "Da Vocação à Profissão", que desenvolvi para ajudar na escolha de profissão. Não há resposta errada para esta pergunta. Sua resposta vale por si mesma. Quanto mais clara e afirmativa for sua resposta, mais rápido se torna o processo de descobrir com que profissão você combina.

Para ajudá-lo a dar maior clareza a sua resposta, adotei a atividade esportiva como cenário, como "pano de fundo" da profissão. Há duas boas razões para isso. A primeira é porque a atividade esportiva provavelmente vai tomar espaço enorme na mídia nacional no ano que vem, principalmente no RJ, quando acontecerão os jogos Pan-Americanos Rio 2007, o que muito certamente aumentará a oferta de empregos (alguns dos quais continuarão sendo mantidos, uma vez que o empresariado conclua que esporte dá dinheiro e por isso queira investir no setor). A segunda é porque se diz que o brasileiro troca de tudo, de emprego, de marido, de mulher, de sexo, de casa, de trabalho, etc., só não troca de time.

Por isso, parece ser mais fácil para nós brasileiros imaginarmos como juntar trabalho e prazer tendo o mundo esportivo (que é o mundo dos grandes espetáculos) como pano de fundo, pois é sabido que uma vida feliz é aquela em que o sujeito trabalha pelo que ama e ama o trabalho que faz.

Além disso, o esporte (particularmente o futebol), no Brasil, mobiliza mais o povo. E, como toda criação do homem, embute uma formidável quantidade de inteligência.

Suponha, meu caro jovem, que por causa dos jogos no RJ em 2007, comece a haver um formidável aporte de dinheiro no setor com vistas a tornar a atividade esportiva um negócio interessante para todo mundo. Cada um, por razões pessoais, apesar de estar no cenário a trabalho, conseguiria ganhar dinheiro, ao mesmo tempo em que desfrutar de algum tipo de prazer.

Como o dinheiro é necessário para praticamente tudo que se queira fazer, a atividade esportiva, crescendo no RJ (não custa ser otimista!) e em seguida no restante do país (também não custa continuar sendo otimista!), criaria o cenário onde os profissionais de todas as áreas de formação ganhariam seu suado dinheiro.

Faça-se a pergunta: "Que profissional eu, com certeza, posso me tornar, e então ganhar dinheiro, bastante dinheiro, me encaixando no mundo esportivo?". Respondendo-a, dará um grande passo para descobrir que profissão combina com você.

Para o esporte poder ser praticado, é preciso haver quem o pratique. Mas é preciso também haver quem crie ou mantenha as condições que permitam sua prática. O atleta pode ser "atleta amador"; os demais profissionais não: o médico, o fisioterapeuta, o nutricionista, o fornecedor de material esportivo, o responsável pela hotelaria e acomodações, o orientador psicológico, etc., esses todos têm de ser muito bons profissionais.

Cada um desses personagens trabalha fazendo uso de aspectos da inteligência muito diferentes uns dos outros. O profissional que você tiver competência para ser é necessariamente inteligente.

 
Para poder ganhar dinheiro, exercendo um papel profissional no cenário esportivo, e ao mesmo tempo sentir prazer em trabalhar na área que escolheu, é preciso que você tenha competência profissional. É preciso que você:
 
1) sendo atleta: goste de adestrar o próprio corpo para disputas, que em muitos casos nem duram muito tempo; e também ser capaz de dizer não aos mais diversos tipos de prazer. Pois atletismo e gandaia não combinam;
 
2) sendo o responsável por cuidar do físico dos atletas ou dos recursos necessários às atividades esportivas: precisa ser médico, enfermeiro, gastrônomo, cozinheiro ou algum outro profissional da área da saúde; ser arquiteto ou engenheiros para projetar e calcular as condições físicas da prática esportiva; ser comerciante para fazer circular mercadorias (materiais desportivos ou outros);
 
3) sendo o responsável pela divulgação de eventos, notícias e opiniões de interesse: precisa ser jornalista, propagandista, marqueteiro;
 
4) sendo capaz de cuidar do bem-estar físico e psicológico dos atletas, torcedores, investidores, etc.: precisa ser psicólogo, agente de turismo, assistente social;
 
5) sendo o responsável por ensinar e treinar atletas: precisa ser pedagogo, professor de Educação Física, técnico, assistente técnico;
 
6) sendo bom administrador de pessoas e recursos, de modo que toda e qualquer atividade possa dar-se de maneira ordenada e econômica: precisa ser administrador de empresas; contador;
 
7) conhecendo leis esportivas e não esportivas: precisa ser advogado;
 
8) sabendo como fazer negócios e ganhar dinheiro; analisando custos e viabilidade econômica de projetos e sendo capaz de interessar investidores (privados ou públicos); fiscalizando: precisa ser ou corretor de valores ou algo parecido;
 
9) sabendo aplicar leis e regras: precisa ser árbitro;
 
10) sendo capaz de assumir cargos e falar em nome de empresa ou de agremiação esportiva: precisa ser político, ou secretária;
 
11) sendo capaz de promover certames e espetáculos: precisa ser profissional da área de arte e espetáculos;
12) sendo capaz, para a tarefa, de prevenir acidentes: precisa ser bombeiro, policial, paramédico.

Sendo você um desses profissionais, ou outro que não me ocorreu mencionar, não é de se admitir que estará ganhando dinheiro, ao mesmo tempo em que sentindo prazer no trabalho?

Não responda pensando "eu desejaria tanto ser médico, ou outra coisa qualquer!..." - responda pensando "eu tenho certeza de que ser médico é a minha praia, ou ser tal outra coisa é minha praia!". Pense no que você é capaz de fazer porque já se viu fazendo (na escola, em casa, na rua, nas férias, quando foi obrigado a cumprir ordens, quando estava à toa...). Aqui vale mais recordar do que simplesmente sonhar.

Use o modelo acima. As alternativas de profissões mencionadas não esgotam o assunto. Descubra outras. Mas não deixe de pensar que o fundamental é você definir em que setor você é capaz de realmente ser útil, de atuar profissionalmente, pois é nele que sua competência gera dinheiro.

Dificilmente alguém o contrataria apenas porque você é "uma pessoa legal pra caramba", porque você é a simpatia em pessoa. O empregador só contrata quem é capaz de resolver problemas concretos. Como no ditado "beleza não põe mesa" - a pessoa tem que "mostrar serviço".

__________________________________________________________________________
Por: Joel Nunes dos Santos (Psicólogo e Orientador Profissional - (11) 3746-7285 ).

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