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Pesquisa: Escola pública no limite

Pesquisa da UFJF mostra situação da escola pública no limite


Uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (CPS/UFJF), com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq), constata que a escola pública, na cidade, não está “dando conta” do processo educacional, conforme ressaltou o diretor do CPS, Carlos Alberto Botti [foto], em entrevista à imprensa.

Para ele, os dados evidenciam que o ambiente escolar está chegando a um limite, como o convívio com violência, desvalorização e insatisfação de professores, doenças relacionadas ao trabalho, indisciplina e desinteresse de alunos. Com isso, a referência para o estudante está sendo a rua, com todas as implicações que essa mudança pode acarretar. Mas, de acordo com Botti, a culpa não está na escola, que não é a fonte dos problemas, mas “o local onde eles explodem”.

Nomeado “Fala, Juiz de Fora”, o estudo objetivou dar voz à população da cidade, professores e alunos da rede pública de Ensino Fundamental, Médio e de Jovens e Adultos, para que dissessem o que vivenciam no colégio e o que pensam sobre eles mesmos e uns sobre os outros. “A grande novidade é que isso está quantificado por uma instituição externa, com uma amostra calculada cientificamente”, acrescenta Botti.

Um dos índices que soam o alerta refere-se à violência no ambiente escolar nos últimos dozes meses. Entre os professores, quase a metade deles (47,2%) afirmou que já foi xingada, e 27,3%, agredidos moralmente. A agressão física chegou a acontecer a 7% deles. E, a cada cem professores, cerca de 13 já foram furtados no próprio ambiente de trabalho. Entre alunos, quase 12% disseram que foram agredidos fisicamente e outros 26,4% foram vítimas de furto. “Os percentuais elevados indicam, no mínimo, quebra de hierarquia. Não é possível admitir que metade dos professores tenha sido xingada”, indignou-se Carlos Alberto Botti.

Os percentuais aumentam quando alunos e professores são perguntados se já houve algum tipo de violência contra eles próprios ou outras pessoas. Mais da metade dos professores (58,2%) e alunos (51,2%) ouvidos declararam que houve agressão física, sendo que quase 27% dos docentes disseram que esse ato já aconteceu mais de quatro vezes nos últimos doze meses. Eles convivem, também, com ameaças de agressão (48,3%, segundo professores, e 52,6%, conforme alunos) e com ocorrências mais graves. Mais de um terço dos docentes e estudantes relataram ainda que já houve furto, souberam de tráfico de drogas (12,2% e 18,8%), pessoas com armas brancas (11,9% e 16,9%) e armas de fogo (4,6% e 8,5%) na escola. De acordo com Botti, apesar de haver a possibilidade de alunos e professores terem relatado um mesmo fato mais de uma vez, “os dados são expressivos e revelam uma banalização da violência”.

Professores mudariam de profissão

Razões relacionadas à desvalorização da profissão e à relação com alunos são apontadas pelos professores como os principais problemas enfrentados pela categoria. “Talvez o sentido da desvalorização esteja na permanente afirmação da importância da educação e na pouca ação para sua valorização”, supõe Botti.

Essa decepção é refletida nas respostas seguintes: quase 50% dos entrevistados afirmaram que se sentem parcialmente realizados com a profissão, e cerca de 10% estão insatisfeitos e apenas 41%, realizados. Se pudessem, mais de 30% mudariam de profissão, e outros 7,2% têm dúvida se trocariam.

Os professores (40%) acusam ainda que já sofreram implicações na saúde relacionadas ao trabalho, tais como depressão (23,3%), problema na fala (21,8%), alergia a pó de giz (8,1%) e tendinites (6,6%). Ainda assim a maioria, tanto de docentes quanto de alunos, considera a escola um local agradável e acolhedor, cuja função seja educar e ensinar. Apenas 2,6% dos docentes consideram a escola ruim ou péssima. “Quando se volta à realidade, isto é, tratam-se pontualmente temas dos diversos aspectos da vida escolar, a avaliação é negativa. Isso quer dizer:´eu quero a escola, mas não essa escola`”, diz Botti.

Enquanto isso, mais da metade vivencia a realidade de mais de 30 horas-aula por semana e alguns (9%), 40 horas. Para Botti, “essa exposição intensa é um agravante para a ausência de lazer”. Um terço relatou que não tem acesso à atividade livre pelo menos uma vez por semana. “O desempenho do professor pode ser comprometido se houver exageros”, completa. E ainda: 56,2% dos entrevistados possuem mais de um vínculo empregatício. Desse percentual, cerca de 80% dão aulas em outra escola pública.

Visão negativa

A pesquisa apontou que os três segmentos pesquisados têm percepção negativa sobre a juventude de hoje. Eles reuniram mais palavras negativas (acima de 75%), como drogas, desinteresse, indisciplina, do que positivas ao serem perguntados sobre ela. Essa percepção desfavorável, inclusive pelo próprio jovem sobre si, é preocupante, segundo Botti. “Se a sua visão de mundo é de que ele é um bordel, fica muito fácil se prostituir, porque você não precisa ser nada ou ter um pouco de cuidado para não ser o outro”. Mais de 57% dos estudantes concordaram e 18,2% aderiram em parte à idéia de que a rua é a casa da juventude e outros 17,6% associaram drogas à juventude.

Botti aponta, como uma das causas para essa perda de referência, a falta de estrutura da sociedade para acolher o jovem no período em que ele está fora da sala de aula e quando os pais estão no trabalho – uma característica da nova formação familiar. “A família perde o controle sobre a própria criança. Estamos chegando a um ponto da inviabilidade. Você abre o jornal todo dia e tem uma notícia de violência na escola. O controle social está fragilizado”, acrescenta.

Ele crê que a escola em tempo integral seja uma saída, pois a estrutura atual de aulas em meio turno era adequada à composição tradicional da família, com o pai mantenedor do lar e a mãe com tempo livre para orientar o filho. Já os professores apresentaram 75 soluções para restaurar a disciplina na escola, mas 39 docentes não souberam responder. “As alternativas com alguma significância estatística eram imprecisas (ação conjunta, planejamento, diálogo e respeito). A falta de um mínimo de consenso mostra que, na verdade, cada um, a seu modo, dizia: eu não sei, isso, hoje, é maior que a escola”. Para Botti, fica evidente que somente uma ação de todas as instituições envolvidas (escola, família, Estado e sociedade em geral) será capaz de reconstituir o ambiente escolar”.

Metodologia

Para a pesquisa, foram ouvidos 569 estudantes acima de 14 anos (72,5% do Ensino Médio); 502 professores da rede pública municipal, estadual e federal da área urbana; e 606 representantes da população. As pesquisas com cada grupo foram feitas separadamente, entre julho e novembro de 2009, obedecendo a critérios para que representasse toda a sociedade local, e tem sua margem de erro estimada em 2,5%, quando se trata de população e alunos, e 4,5% na pesquisa com professores. Conforme Botti, a maioria dos colégios particulares da cidade se recusou a participar da pesquisa, e não houve tempo hábil para obter autorização para entrar no Colégio Militar.

A partir da pesquisa, a UFJF espera “provocar uma mobilização a favor da juventude e da escola. É uma contribuição da Universidade para a formatação de políticas públicas”, afirma Carlos Botti.

Os dados, encaminhados à Secretaria Municipal de Educação e Delegacia Regional de Ensino, estão disponíveis no site do CPS.


(Por: Assessoria de Imprensa da UFJF)

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