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Apenas a Educação não resolve

As conclusões apresentadas pelo pesquisador Alberto Carlos Almeida em seu livro "A Cabeça do Brasileiro", a respeito das transformações que a educação poderia trazer na forma de pensar e agir de nossa população, estão longe de representar uma unanimidade no meio acadêmico. Desde que foi lançado, há cerca de um mês, o trabalho do cientista político e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense tem encontrado defensores entusiasmados e críticos ferrenhos.
 
Entre aqueles que endossaram os dados apresentados no livro está o antropólogo Roberto DaMatta. Em entrevista, ele afirmou que "'A Cabeça do Brasileiro' tem mostrado algo que, no fundo, todo mundo já sabia: que educar o brasileiro é uma coisa fundamental".
 
Para o antropólogo, que tem mestrado e doutorado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o aumento da escolaridade é "essencial para tenhamos uma país mais igualitário". A pesquisa que deu origem ao livro de Alberto Carlos Almeida é inspirada em várias idéias de DaMatta.
 
Cláudio Webber Abramo, diretor-executivo da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil e mestre em filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por outro lado, não se mostrou tão entusiasmado com os dados apresentados em "A Cabeça do Brasileiro". O principal ponto questionado por ele é o fato do trabalho atribuir aos grupos menos escolarizados uma maior tolerância com relação à corrupção.
 
"Não quero criticar os números apresentados pelo pesquisador, pois ele trabalhou com uma metodologia que o levou a encontrar tais informações. O problema, na minha opinião, é a maneira como esses dados estão sendo interpretados. A corrupção não é praticada pelos grupos com menor grau de instrução, e sim pelos membros das classes ricas, que, em geral, têm alto nível de escolaridade", diz ele.
 
Para Abramo, as questões utilizadas para a elaboração da pesquisa "deixam de levar em conta o 'background cultural' dos entrevistados. É como você chegar numa cidadezinha do interior do Nordeste e perguntar se o indivíduo apóia a censura prévia. Se a essa pessoa não forem apresentadas as conseqüências que um ato dessa natureza possa trazer à sociedade e à democracia, ela não saberá o que responder", argumenta. De acordo com o livro, 46% dos brasileiros sem instrução se mostraram favoráveis à proibição de um programa de TV que faça críticas ao governo.
 
Na opinião de Abramo, o problema dos escândalos da vida pública não será resolvido apenas com a universalização do ensino formal. "Educação é conseqüência das transformações sociais e não causa delas. O combate à corrupção não é uma questão de valores culturais, e sim do aperfeiçoamento do Estado e dos mecanismos normativos que levem a um maior controle das decisões tomadas nas diferentes esferas do poder", acredita ele.
 
O professor do departamento de educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru Antônio Francisco Marques também se mostra reticente quanto ao papel que o avanço da escolarização possa ter na mudança da forma como a população age e pensa. Será que ele tem uma dimensão de transformação social, ou visa somente a manutenção do status quo?", questiona ele.
 
O filósofo Fausi do Santos, professor da Universidade do Sagrado Coração (USC), lembra que a educação pública, hoje oferecida às camadas menos favorecidas da população, está longe de poder ser considerada um caminho rumo à superação das mazelas históricas do País.
 
"Falta um modelo de liberdade ao Brasil. O indivíduo oprimido, quando sobe na vida, se torna opressor. O simples fato do sujeito estudar e melhorar suas condições materiais não fará com que ele se torne uma pessoa mais ética. Para que uma transformação tão profunda de mentalidade pudesse acontecer, seria preciso que o processo educacional também fosse mudado, passando a dar mais ênfase à emancipação e à formação crítica do sujeito", avalia ele.
 
_________________________________________________________
 Por: Rodrigo Ferrari (JCNet)

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